Ora, as contas públicas. O que importa é a economia da atenção
Com anúncios sobre Bolsa Familia e canetas emagrecedoras, Lula recobrou um pouco do controle sobre o noticiário político
Lula chega ao final desta semana como há muito não chegava: com algum controle do noticiário político.
O presidente fez dois anúncios nesta quinta, 17: o reajuste do benefício do Bolsa Família e a incorporação ao SUS das canetas emagrecedoras.
As duas medidas têm evidente caráter eleitoreiro. Serão questionadas na Justiça como possível abuso do poder político, uma vez que a máquina de governo foi mobilizada pelo candidato.
Ambas têm ainda impacto significativo sobre as contas públicas.
Segundo as estimativas do próprio Planalto, o aumento do Bolsa Família custará 5,8 bilhões de reais apenas entre outubro e dezembro deste ano. Em 2027, o valor deve chegar a 22,7 bilhões de reais.
No caso das canetas emagrecedoras, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, lembra que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) desaconselhou o Ministério da Saúde a disponibilizar o medicamento de graça no final do ano passado. A razão é o custo projetado de 8 bilhões de reais ao ano.
A equipe econômica jura que fez as contas e que todos esses gastos extras cabem direitinho no orçamento e não vão pressionar o arcabouço fiscal. Ganha um doce e uma caneta de Mounjaro quem encontrar um economista não petista que acredite nisso.
A única economia que interessa ao PT neste momento, no entanto, é a da atenção. E que não seja inteiramente negativa.
No começo do mês, Lula estava a postos para surfar uma onda de boas notícias (da sua perspectiva). Havia feito as pazes com Davi Alcolumbre, destravando no Congresso o andamento de pautas como fim da escala 6×1, fim da taxa das blusinhas, Redata e marco dos minerais críticos.
Acontece que uma outra onda, a crise do STF, veio de surpresa e levou o petista de cambulhão.
Foram duas semanas de pesquisas que mostravam a aprovação do governo em queda, a intenção de voto em Lula em queda e a de Flávio Bolsonaro, na direção contrária. Alguns levantamentos mostraram o candidato da oposição na dianteira.
A munição que poderia reverter o quadro já havia sido gasta e a campanha do PT viveu momentos de miséria.
Desde então, esta sexta-feira em que muito se fala da caixinha de benesses aberta por Lula é a primeira com ares um pouco diferentes.
Ainda há muita coisa que pode dar errado.
A Justiça pode concluir que o presidente usou o cargo de forma indevida.
Os eleitores podem não ser seduzidos pelo Bolsa Família engordado e pelo remédio de emagrecer. Esse tem sido o padrão no terceiro mandato de Lula: lances que outrora foram muito eficazes parecem ter perdido o poder de cativar o eleitorado.
Mas é inegável que o candidato conseguiu comprar um pouco de atenção, e isso importa.
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Comentários (1)
Nem o novo ex preventivo (Teste de DNA-HPV), q foi lançado em novembro do ano passado em 01 cidade de cada capital do país, com previsão de chegar a todas as cidades brasileiras até dezembro de 2025, foi uma política pública de saúde q tenha saído do papel! Até hoje, setembro/2026, as Unidades Básicas de Saúde estão ainda realizando somente o Papanicolau!