Crusoé: Lula diz que sempre foi contra GLO que ele decretou e prorrogou
Operação militar contra o crime organizado em portos e aeroportos não teve resultado algum. Mesmo assim foi estendida pelo presidente
O presidente Lula (foto) afirmou em entrevista para a rádio Tupi nesta sexta, 18, que sempre foi contra a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que ele próprio decretou em novembro de 2023.
“Veja, eu sempre fui contra aquela GLO que quando vi o exército aqui“, afirmou Lula, em entrevista no Rio de Janeiro.
“Intervenção?”, perguntou a repórter.
“Interventor anunciava antes. Vinha aqui. Os bandidos saíam. O exército ficava aqui uma semana, um mês, dois meses, quando saía a bandidagem voltava“, disse Lula.
Jogo de cena
No decreto que instituiu a GLO em 2023, falava-se em deslocar os militares para “espaços com grande atuação das organizações criminosas, com fortes repercussões em metrópoles brasileiras”.
Os uniformizados foram passear em portos e aeroportos de grande movimentação.
Um blindado com dois soldados armados de fuzis foi estacionado ao lado de um guindaste para carregar navios. Outros se colocaram diante do Museu do Amanhã, obra do arquiteto Santiago Calatrava, cartão-postal do Rio de Janeiro. Fuzileiros monitoraram funcionários que passavam seus crachás em catracas de algum escritório. Um jipe foi içado ao convés de um navio da Marinha. Mergulhadores inspecionaram cascos de embarcações. No Porto de Santos, em São Paulo, cães farejaram os pneus enormes de um caminhão articulado. Cerca de 600 militares da Aeronáutica foram deslocados para caminhar entre os passageiros nos aeroportos de Guarulhos e do Galeão.
O resultado foi nulo. Mero jogo de cena.
A operação não incluiu os onze estados com as maiores taxas de homicídios do país, os quais ficam todos nas regiões Norte e Nordeste. Em vez disso, concentrou-se boa parte das manobras em um estado com bons indicadores de segurança, São Paulo.
A previsão era de que a operação fosse concluída em maio de 2024, mas acabou sendo prorrogada por Lula para o início de junho.
A prorrogação, claro…
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