PGR defende saída de pai de Vorcaro da prisão para exames
O procurador-geral da República diz não ver óbice à saída de Henrique Vorcaro, desde que sejam seguidas as regras do presídio
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta sexta-feira, 18, favoravelmente à saída temporária de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, da prisão para a realização de exames solicitados por seu médico particular.
Embora uma avaliação anterior tenha apontado ausência de urgência no quadro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou não enxergar impedimento à medida, desde que sua execução siga as regras estabelecidas pela unidade prisional.
Segundo a manifestação, Henrique relatou sintomas de uma possível crise de diverticulite e chegou a ser levado a uma Unidade de Pronto Atendimento próxima ao presídio. A defesa pediu autorização para que ele fosse avaliado por seu médico particular e realizasse exames complementares solicitados pelo profissional.
“Ainda que a avaliação médica realizada sobre Henrique Moura Vorcaro tenha indicado ausência de urgência e prescrição de antibióticos ‘por obstinação do paciente’, a Procuradoria-Geral da República não enxerga óbice à saída do investigado para realização dos exames solicitados pelo médico particular que acompanha seu tratamento. Referida saída, porém, deve estar sujeita ao regramento do estabelecimento prisional, que deve estabelecer a melhor forma de sua operacionalização”, pontuou Gonet.
Henrique Vorcaro está preso preventivamente desde 14 de maio de 2026, quando foi alvo da 6ª fase da Operação Compliance Zero. A prisão havia sido determinada pelo ministro André Mendonça no dia anterior e foi cumprida pela Polícia Federal em 14 de maio.
Segundo a PF, Henrique teria papel central no núcleo chamado “A Turma”, grupo investigado por ações de intimidação, monitoramento de desafetos, obtenção de informações sigilosas e invasões de dispositivos. Na decisão, Mendonça registrou a tese da investigação de que Henrique seria “demandante, beneficiário e operador financeiro” dos serviços prestados pelo grupo.
A peça de Gonet também trata de Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos – investigado da Operação Compliance Zero que integraria o grupo “Os Meninos”. Ele pediu reavaliação e revogação de sua prisão preventiva, ou sua substituição por medidas cautelares diversas da prisão.
Nesse ponto, Gonet adotou posição oposta e defendeu a manutenção da prisão.
“Há indícios suficientes do possível envolvimento do requerente nos fatos sob investigação, traduzindo-se em elementos de materialidade e autoria que não podem ser descartados”, disse Gonet.
“A apuração em espécie encontra-se em andamento, existindo diligências pendentes de implemento que se revelam úteis para eventual confirmação das hipóteses que ensejaram a investigação. Nesse ponto, a prisão preventiva fundou-se em elementos suficientes de autoria, não elididos por fatos posteriores à sua decretação. Referido entendimento foi alcançado pela 2ª Turma do STF, ao referendar a decretação da medida”.
Dessa forma, prosseguiu, demonstra-se necessária “a manutenção da segregação do investigado, dado o risco concreto de reiteração delitiva e fuga”.
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