Cães olharam para rostos humanos dentro de um aparelho de ressonância e seus cérebros reagiram de maneira diferente a medo, tristeza, raiva e alegria
Experimentos com cães acordados revelaram padrões cerebrais diferentes diante de expressões humanas positivas e negativas
Cães domésticos treinados para permanecer imóveis e acordados dentro de aparelhos de ressonância magnética funcional ajudaram pesquisadores a observar como processam expressões humanas. O cérebro dos cães não respondeu da mesma maneira a todos os rostos, e análises publicadas em 2026 mostraram diferenças particularmente claras entre felicidade e expressões negativas, além de distinções entre alguns tipos específicos de emoção negativa.
Como o cérebro dos cães reagiu aos rostos humanos?
O estudo realizou dois experimentos com cães de companhia acordados durante exames de fMRI, técnica que detecta alterações no fluxo sanguíneo associadas à atividade cerebral. No primeiro experimento, oito animais observaram rostos humanos felizes e neutros enquanto os pesquisadores comparavam a resposta produzida por cada condição.
Os rostos felizes provocaram maior atividade em uma região do lado direito que abrangia áreas temporais e se estendia até o núcleo caudado. O resultado sugere que expressões humanas positivas possuem uma representação neural diferenciada nos cães, embora isso não signifique que eles sintam exatamente a mesma emoção apresentada pela pessoa.
Como os pesquisadores testaram felicidade, medo, raiva e tristeza?
No segundo experimento, 12 cães observaram fotografias de pessoas demonstrando felicidade, raiva, medo ou tristeza. Os animais foram previamente habituados ao equipamento para permanecerem acordados, sem contenção física rígida e suficientemente imóveis para que as imagens cerebrais pudessem ser analisadas.
Os pesquisadores então empregaram técnicas estatísticas e aprendizado de máquina para procurar padrões capazes de separar as respostas cerebrais associadas às expressões. A abordagem permitiu avaliar não apenas quanto determinada área era ativada, mas também como diferentes regiões formavam padrões distribuídos de atividade.
- Felicidade;
- Raiva;
- Medo;
- Tristeza.
Este vídeo de pesquisadores da ELTE mostra cães acordados participando de experimentos de neuroimagem enquanto observam estímulos visuais humanos.
O que o cérebro dos cães distinguiu entre essas emoções?
Na região cerebral definida a partir do primeiro experimento, um classificador conseguiu diferenciar felicidade de cada uma das três expressões negativas. Entretanto, nessa análise localizada, o sistema não conseguiu separar de maneira confiável raiva, medo e tristeza umas das outras.
Quando os cientistas examinaram padrões distribuídos pelo cérebro inteiro, surgiu um resultado mais detalhado. Houve diferenças entre rostos de raiva e medo e também entre tristeza e medo. Em contraste, raiva e tristeza não produziram padrões suficientemente distintos nessa análise para permitir uma separação consistente.
Isso significa que os cães entendem as emoções humanas?
Os resultados não demonstram que cães atribuam conscientemente rótulos como “medo”, “tristeza” ou “raiva” às pessoas. A fMRI mostra diferenças na atividade cerebral diante dos estímulos, mas não permite concluir diretamente qual experiência subjetiva o animal possui ao observar cada rosto.
O artigo publicado na revista iScience descreve os achados como evidência de que o cérebro canino representa expressões faciais humanas além de uma simples divisão entre estímulos positivos e negativos. A interpretação, portanto, deve permanecer ligada ao processamento neural, e não a uma leitura humana das emoções do animal.

Quais áreas do cérebro dos cães apresentaram diferenças?
A felicidade esteve associada a respostas mais fortes em um agrupamento frontotemporal direito que alcançava o núcleo caudado e incluía o giro silviano rostral. Na análise do cérebro inteiro, outras regiões apareceram quando determinadas expressões negativas foram comparadas.
Diferenças entre raiva e medo envolveram o giro ectossilviano médio direito e o giro esplenial esquerdo. Já a comparação entre tristeza e medo revelou padrões distintos no giro suprassilviano rostral direito, mostrando que diferentes partes do cérebro participaram da discriminação.
| Comparação | Resultado |
|---|---|
| Felicidade x emoções negativas | Distinção detectada |
| Raiva x medo | Padrões distintos |
| Tristeza x medo | Padrões distintos |
| Raiva x tristeza | Sem distinção confiável |
Por que esse experimento é importante para estudar cães?
Cães convivem intimamente com humanos há milhares de anos e dependem frequentemente de sinais visuais e vocais para orientar seu comportamento. Estudos anteriores já haviam demonstrado que eles conseguem discriminar algumas expressões humanas, mas observar diretamente a atividade cerebral acrescenta uma nova camada de evidência.
O trabalho mostra que a resposta canina não se limita simplesmente a reconhecer um rosto. Determinados padrões variaram conforme a expressão apresentada, indicando uma representação neural mais refinada de sinais sociais humanos e abrindo caminho para novos estudos sobre comunicação entre espécies.
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