O encontro entre Gilmar Mendes e Daniel Vorcaro
Conversa entre os dois para discutir ação sobre o setor sucroalcooleiro ocorreu em 11 de abril; PF suspeita que cunhado mediou encontro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes se reuniu com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em 11 de abril de 2024 para pedir que o magistrado votasse a favor do conglomerado do Banco Master em uma disputa bilionária envolvendo o setor sucroalcooleiro.
A informação é da Folha de S. Paulo e confirmada por O Antagonista.
Na época, Vorcaro também procurou conversar com o ministro André Mendonça sobre o mesmo assunto. Tanto Gilmar, quanto André, votaram contra os interesses do Master. O caso tramitava na segunda turma do Tribunal.
O ex-banco de Daniel Vorcaro mantinha em sua carteira bilhões em precatórios dessas empresas fruto de ações indenizatórias impetradas pelo setor contra a União. Na época, se as usinas fossem vitoriosas, o rombo nos cofres do governo federal poderia chegar a aproximadamente 150 bilhões de reais.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) indicam que Gilmar topou o encontro, de 15 minutos, por influência do seu ex-cunhado. O ex-deputado, ex-senador e empresário Chiquinho Feitosa, hoje presidente do Republicanos no Ceará.
Chiquinho tinha na época um contrato de 500 mil reais de consultoria com o conglomerado de empresas de Daniel Vorcaro.
“Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro! Ele é um grande sujeito com grande caráter e um grande amigo”, disse Chiquinho a Vorcaro em mensagem de 19 de abril daquele ano, após esse primeiro encontro com Gilmar.
No caso específico, Daniel Vorcaro estava interessado na liberação de precatórios da destilaria Alcídia. Somente com esse único negócio, o Master poderia ter lucrado entre 350 milhões reais e 500 milhões de reais. A disputa entre a destilaria e a União data dos anos de 1980.
Chiquinho também tratou com os interesses do Banco Master junto a entidades privadas. Entre abril de 2024 e 2025, segundo a PF, Chiquinho atuou justamente no período em que Gilmar relatava ações no Supremo sobre a abertura de novos cursos de medicina.
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