Família retorna de viagem e descobre que raízes de uma árvore antiga foram cortadas durante construção de muro, ela teme queda e cobra avaliação técnica de vizinho
Saiba quais sinais registrar e por que uma avaliação técnica pode indicar risco de queda
As raízes de uma árvore antiga foram cortadas durante a construção de um muro no imóvel vizinho, segundo uma família que estava viajando. Ao retornar, os moradores perceberam a intervenção próxima ao tronco e passaram a temer uma possível queda. Agora, cobram do vizinho uma avaliação técnica e medidas para reduzir o risco.
O vizinho poderia cortar as raízes que chegaram ao terreno dele?
O Código Civil permite ao proprietário cortar raízes e ramos que ultrapassem a linha divisória, até o plano vertical da divisa. Essa regra, porém, não elimina os cuidados necessários quando a intervenção pode comprometer a estabilidade da árvore ou provocar danos ao outro imóvel. Para avaliar o ocorrido, é importante identificar:
- posição do tronco em relação à divisa dos terrenos;
- distância entre o corte e a base da árvore;
- quantidade e espessura das raízes removidas;
- profundidade da escavação realizada para o muro;
- presença de rachaduras, inclinação ou movimentação do solo.
Por que o corte pode aumentar o risco de queda?
As raízes sustentam a árvore e absorvem água e nutrientes. Quando raízes estruturais são removidas perto do tronco, a capacidade de resistir a ventos fortes pode ser reduzida. O risco depende da espécie, do porte, das condições do solo e da extensão do corte. Uma árvore antiga também pode apresentar cavidades ou doenças que não são percebidas por uma inspeção superficial.
A escavação para a construção do muro pode causar outros efeitos, como compactação do solo, exposição de raízes e alteração da drenagem. Por isso, preencher o buraco com terra ou concreto não basta para afastar o perigo. A estabilidade da árvore precisa ser analisada por profissional habilitado antes que a obra esconda os pontos atingidos.

A avaliação técnica pode ser cobrada do vizinho?
Se a intervenção feita durante a obra criou dúvida concreta sobre a segurança, a família pode solicitar que o responsável providencie e custeie uma avaliação. O pedido deve ser apresentado por escrito, acompanhado de imagens e da descrição dos cortes encontrados. A responsabilidade dependerá da localização das raízes, da forma de execução do serviço e do risco efetivamente produzido.
Um engenheiro agrônomo, engenheiro florestal ou profissional habilitado pode examinar a espécie, o sistema radicular, o solo e a estrutura da copa. O laudo deve informar se existe risco de queda, quais medidas são recomendadas e se a construção pode continuar. Dependendo do resultado, poderá ser necessário instalar suporte temporário, alterar o projeto do muro ou tratar a árvore.
Quais sinais devem ser registrados imediatamente?
A família deve fotografar a vala, as raízes cortadas e a proximidade do novo muro antes da conclusão do serviço. Vídeos com visão ampla do terreno ajudam a mostrar o porte da árvore e sua posição em relação à obra. Também devem ser observados sinais que indiquem alteração recente:
Alterações que merecem ser observadas
Mudanças no tronco, nas raízes, no solo ou na copa podem indicar alterações importantes na estabilidade ou nas condições da árvore.
Inclinação ou mudança na copa
Inclinação recente do tronco ou alteração perceptível na posição e no equilíbrio da copa.
Rachaduras próximas à base
Fissuras, aberturas ou movimentações do solo observadas na região próxima ao tronco.
Raízes expostas ou cortadas
Presença de raízes grossas expostas, danificadas, serradas ou removidas nas proximidades da árvore.
Perda de folhas ou galhos secos
Queda repentina de folhas, redução incomum da folhagem ou secamento de partes da copa.
Movimentação do solo
Levantamento ou deslocamento perceptível do solo ao redor da base durante períodos de vento ou chuva.
Atenção: a presença de um desses sinais, isoladamente, não determina a condição da árvore. Quando houver preocupação com estabilidade ou risco de queda, a avaliação deve ser feita por profissional habilitado.
Como proteger os moradores enquanto o caso é analisado?
A área próxima à árvore deve ser isolada se houver inclinação, movimentação do solo ou previsão de ventos intensos. Pessoas, animais e veículos não devem permanecer na possível direção de queda. Em situação de risco imediato, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros ou o órgão municipal responsável pela arborização podem ser acionados, conforme o atendimento disponível na cidade.
O laudo, os registros da obra e as comunicações enviadas ao vizinho ajudam a definir quem deverá pagar pelas medidas de segurança e por eventuais danos. A prioridade é obter uma avaliação técnica independente antes de qualquer novo corte ou remoção. Assim, a decisão sobre preservar, tratar ou retirar a árvore será baseada no risco real provocado pela intervenção nas raízes.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)