Fumaça escureceu o céu de Bornéu enquanto incêndios subterrâneos continuavam queimando turfa mesmo longe das chamas visíveis
A seca em Kalimantan favoreceu focos persistentes capazes de avançar abaixo da superfície e liberar fumaça durante longos períodos
No início de setembro de 2026, imagens de satélite mostraram centenas de pontos quentes espalhados pela parte indonésia de Bornéu, enquanto uma densa névoa de fumaça avançava sobre diferentes áreas de Kalimantan. Os incêndios de turfa são especialmente difíceis de controlar, porque o fogo pode penetrar no solo rico em matéria orgânica, continuar em combustão lenta sem grandes chamas e produzir fumaça durante períodos prolongados.
O que aconteceu em Bornéu no início de setembro de 2026?
Em 2 de setembro, o serviço meteorológico da Indonésia, o BMKG, registrou 463 pontos quentes de alta confiança em Kalimantan, o maior número entre as regiões monitoradas naquele levantamento. A combinação de tempo seco, calor e pouca chuva criou condições favoráveis para incêndios florestais e de vegetação.
A situação continuou se agravando nos dias seguintes. Em 10 de setembro, o BMKG informou que, considerando os dez dias anteriores, Kalimantan Central acumulava 2.526 pontos quentes de alta confiança e Kalimantan Ocidental outros 2.102. Satélites também identificaram fumaça sobre diversas províncias da ilha.
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Por que os incêndios de turfa conseguem queimar debaixo da terra?
A turfa é formada pelo acúmulo de restos vegetais parcialmente decompostos em ambientes naturalmente encharcados. Quando permanece saturada de água, é difícil incendiá-la. Durante secas intensas ou depois da drenagem do terreno, porém, suas camadas podem perder umidade e se transformar em combustível.
Em vez de produzir apenas grandes chamas superficiais, os incêndios de turfa podem avançar por combustão lenta, conhecida como combustão sem chama ou smouldering. O calor progride através da matéria orgânica seca e pode permanecer escondido alguns centímetros ou até mais abaixo da superfície.
- Turfa seca rica em matéria orgânica;
- Pouco oxigênio disponível nos espaços do solo;
- Combustão lenta sem chama constante;
- Propagação abaixo da superfície;
- Produção persistente de fumaça.
O vídeo explica como incêndios em depósitos de turfa conseguem continuar queimando abaixo da superfície.
Como um fogo quase invisível consegue produzir tanta fumaça?
A ausência de grandes labaredas não significa que a combustão tenha parado. O material orgânico continua reagindo lentamente com o oxigênio, liberando calor, partículas finas e gases. Como a combustão pode ser incompleta, incêndios desse tipo produzem grandes quantidades de fumaça em relação às chamas visíveis.
O problema aumenta quando muitos focos queimam simultaneamente. Ventos transportam as partículas por longas distâncias e podem formar uma névoa espessa sobre cidades, florestas e países vizinhos. Em setembro de 2026, o episódio indonésio também esteve associado a uma forte deterioração da qualidade do ar.
Por que os incêndios de turfa ficam tão difíceis de apagar?
Jogar água apenas sobre a superfície pode não alcançar todo o material que continua queimando abaixo dela. Por isso, equipes precisam resfriar profundamente o terreno e acompanhar áreas aparentemente apagadas, já que pontos quentes ocultos podem provocar novas manifestações de fogo na superfície.
A situação de 2026 foi agravada por condições atmosféricas muito secas associadas a um El Niño intenso. Em 10 de setembro, o BMKG informou que incêndios em terrenos de turfa poderiam persistir nas camadas subterrâneas, dificultando sua detecção e extinção.

O que os números de setembro revelam sobre a dimensão dos incêndios?
Os pontos quentes detectados por satélite não equivalem automaticamente a incêndios confirmados no solo. Fontes de calor de outras origens também podem ser registradas, razão pela qual autoridades indonésias recomendam combinar os dados orbitais com verificações em campo antes de contabilizar áreas queimadas.
Mesmo com essa ressalva, os registros mostraram uma concentração excepcional de calor e fumaça em Kalimantan. Entre agosto e o início de setembro, a Indonésia acumulou milhares de detecções, enquanto o período seco favoreceu a permanência e expansão das queimadas.
| Registro | Quantidade |
|---|---|
| Kalimantan em 2 de setembro | 463 pontos quentes |
| Kalimantan Central em 10 dias | 2.526 pontos |
| Kalimantan Ocidental em 10 dias | 2.102 pontos |
| Kalimantan em 13 de setembro | 627 pontos |
Por que os incêndios de turfa preocupam além da fumaça?
As turfeiras armazenam grandes quantidades de carbono acumulado durante longos períodos. Quando queimam, parte desse carbono retorna à atmosfera, tornando esses incêndios relevantes não apenas para a qualidade do ar e para a saúde pública, mas também para o balanço de emissões de gases de efeito estufa.
A experiência da Indonésia mostra ainda por que chuva suficiente e reumidificação profunda do solo são importantes. Uma chuva breve pode reduzir chamas superficiais sem eliminar completamente focos subterrâneos, enquanto períodos úmidos mais prolongados ajudam a saturar novamente a turfa e interromper a combustão persistente.
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