Vice-presidente do PT critica estratégia de Lula: “Nós falando de terras raras”
Segundo Washington Quaquá, falta coordenação na campanha do petista à reeleição e peças não estão falando da "vida do povo"
O vice-presiente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, criticou na terça-feira, 15, a estratégia da campanha do presidente Lula (PT) à reeleição. Segundo o petista, falta coordenação, peças da campanha não estão falando da “vida do povo” e um encontro que Lula fará com os cantores Chico Buarque e Caetano Veloso é “pregar para convertido“.
As críticas foram feitas em dois vídeos publicados no Instagram.
“Gente, agora, impressionante, né? Eu acabei de receber o telefonema de um jornalista amigo, eu não vi na televisão, mas o Flávio Bolsonaro vai para a televisão, para dentro de um supermercado falar da vida real, concreta, que aliás era muito pior no governo do pai dele, hoje está muito melhor com o Lula, a vida muito mais cara no governo do pai dele, do Bolsonaro, do que a do Lula, mas ele vai lá fazer fake news dentro do supermercado, mas falar de vida real, falar de coisas do dia a dia”, iniciou Quaquá, no primeiro.
“E nós falando de terras raras. Sinceramente, cara, a gente tem que aprender. O velho Mao Tsé-Tung dizia que o guerrilheiro tem que estar com o povo como peixe dentro d’água. Nós temos que viver a vida do povo, falar das coisas do povo. Presidente Lula fez o melhor governo da história do Brasil, a vida melhorando, inflação baixa, emprego em alta. Enfim, tem que falar da vida do povo e sair dessa ideologia boba, fora da vida do povo, entendeu?”.
Ele prosseguiu: “Vamos falar do que importa. Está fo.. esse negócio. Está difícil de diálogo, porque não tem coordenação, não tem gente para dialogar, a gente não consegue discutir política. Aqui no Rio mesmo, eu estou fazendo pesquisa direto e eu não tenho com quem falar, entendeu? Porque não tem coordenação”.
No outro vídeo, ele falou sobre o encontro de Lula com os artistas.
“Minha gente, li aqui na imprensa que o presidente Lula vai fazer uma reunião com o Chico Buarque e Caetano na Fundição Progresso. Acho bacana, lindo, maravilhoso. São figuras extraordinárias do Brasil, que eu amo, inclusive, sobretudo meu querido Chico Buarque, referência de todos nós, mas também Caetano, enfim, todos. Mas é pregar pra convertido, é falar pra quem já praticamente vota na gente por nosso universo“, disse.
“Quero dizer o seguinte, eu estou aqui no Rio de Janeiro disposto a ajudar a campanha. Fui, entre aspas, posto coordenador da campanha, mas não há coordenação, qualquer relação com a coordenação nacional, nós não somos ouvidos para nada. Eu tenho feito pesquisa, tenho andado bairro a bairro. Conhecemos muito, modéstia à parte, o Rio de Janeiro e queremos fazer essa interlocução”.
Quaquá continuou: “A minha opinião é o que o presidente Lula precisa fazer aqui por São Gonçalo, enfim, uma reunião com os evangélicos pra mostrar que ele é o presidente que mais fez pelos evangélicos. Não foi o Bolsonaro que fez o Dia do Evangélico. Não foi o Bolsonaro que sancionou a Marcha pra Jesus, que garantiu isenção para os templos religiosos. Ninguém garantiu mais direitos para os templos religiosos, para os evangélicos do que o Lula”.
O petista sugere uma reunião com os evangélicos e outras com os integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e com a polícia, para “mostrar que nós vamos ter um combate brutal à violência no Rio de Janeiro e a ocupação de território”.
Segundo Quaquá, “algumas pautas que são muito caras ao Rio de Janeiro precisam ser tratadas com a coordenação, com o Estado, para que nosso presidente Lula possa vencer dessa vagabundagem, desse Flávio Bolsonaro, que aí, convenhamos, é um idiota que não pode nem pensar em ser presidente da República do Brasil”.
Alta na desaprovação
A desaprovação de Lula no Lulômetro, o tracking diário feito em parceria por O Antagonista e Real Time Big Data, segue subindo. O índice chegou a 42% na terça-feira.
Na sexta, 11, a desaprovação atingiu 41%. A gestão Lula é considerada “regular” por 29% dos entrevistados e “ótima/boa” por 28%.
A reprovação de Lula segue em alta desde o fim do último mês. Em 25 de agosto, o índice era de 38%.
Em abril deste ano, o petista chegou a marcar 50% de desaprovação no Lulômetro.
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