Mulher de Bacellar reclama de condições do ex-deputado em presídio no RN
Em postagem, Manoella Duarte relata marcas de algema no corpo do marido, cela sem ventilador e restrições
Manoella Duarte, esposa do ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Rodrigo Bacellar (União; foto), fez uma publicação nas redes sociais reclamando das condições em que o deputado estadual está preso na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Segundo ela, Bacellar está com “marcadas da algema no corpo”, “toma banho usando um caneco” e a cela “não tem um ventilador”.
“Sou uma mulher reservada. Nunca expus a minha vida pessoal e nunca imaginei que faria algo assim. Mas na última quinta-feira, depois de dois meses sem poder ver o meu marido, o encontrei em condições que não me permitem mais permanecer calada. Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela. Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem. Estava com o dedo do pé inflamado e me contou que, diante da dor, chegou a colocar o pé dentro da comida quente para tentar aliviar”, afirma.
“Por mais que a unidade disponha de atendimento médico, há restrições específicas, entre elas, a entrada dos medicamentos prescritos pelos médicos que o acompanham. Isso afeta diretamente a sua saúde física e psicológica. Não é possivel ao Rodrigo usufruir nem mesmo do banho de sol, pois os horários são divididos entre facções e milícias e meu marido não faz e nunca fez parte de nenhuma.
Não venho a público discutir o processo. Não venho falar de acusações nem de investigações. Isso é assunto da Justiça, e eu confio que a Justiça fará o seu trabalho e a verdade prevalecerá. Venho aqui falar sobre dignidade. A dignidade de uma pessoa não depende de sentença. Não depende de decisão alguma. Ela não se perde na porta de um presidio. Meu marido é um preso provisório. Não foi julgado. Não foi condenado. Mas, acima de tudo, ele é um ser humano. Nenhum ser humano deveria estar nas condições em que eu o encontrei na última quinta-feira.
Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado. Não peço, nesta nota, a sua liberdade. Peço o mínimo: Água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele. Exatamente o que a legislação brasileira assegura a qualquer pessoa presa neste pais. A qualquer uma.
Sou esposa, mãe e avó. Passo as noites em claro pensando se ele vai aguentar. Mas ele é forte. Eu sei que vai. Tenho fé em Deus. Tenho fé na Justiça. E seguirei aqui, ao lado dele, todos os dias. Mas não posso me calar vendo ele ser tratado como se não fosse gente. Peço apenas uma coisa: que ele seja tratado como ser humano”.
Prisão
Bacellar foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de 2 de fevereiro de 2023 a 3 de dezembro de 2025. Ele teve o mandato cassado pela TSE, em 24 de março, sob acusação de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A decisão também o tornou inelegível.
Ele foi preso pela primeira vez, em dezembro do ano passado, na primeira fase da operação Unha e Carne da PF.
A corporação suspeita que ele tenha vazado a Operação Zargun para o então deputado TH Jóias, preso em setembro por suspeita de usar o mandato parlamentar para favorecer o Comando Vermelho (CV).
A Alerj, porém, revogou a prisão preventiva de Bacellar, que precisou se afastar da presidência e usar tornozeleira eletrônica.
Ele voltou a ser preso em 27 de março, em Teresópolis (RJ), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de apurações sobre vazamento de informações de operações policiais no Rio.
A prisão foi mantida após audiência de custódia realizada em 28 de março.
Bacellar foi encaminhado ao Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, em Bangu.
Posteriormente, levado à Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Leia também: STF forma maioria para manter cassação de Rodrigo Bacellar
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Comentários (1)
Joaquim Duran
14.09.2026 19:19Tadin...