A cidade mais alta e fria do Nordeste fica a 1.268 metros na Chapada Diamantina e produziu o melhor café especial do Brasil
A altitude ajuda a criar temperaturas incomuns para a região
Altitude muda tudo em uma lavoura de café: cada centena de metros derruba a temperatura e faz o grão amadurecer mais devagar. Em Piatã, no sul da Chapada Diamantina, esse efeito criou uma anomalia baiana, com madrugadas perto de 3°C e cafezais premiados a 560 km de Salvador.
Por que a cidade mais alta do Nordeste fica na Bahia?
A resposta está no relevo. Piatã ocupa um platô encaixado entre a Serra da Tromba e a Serra da Santana, com a sede urbana a 1.268 metros acima do nível do mar e áreas rurais que passam dos 1.500 metros. É a maior altitude entre as cidades nordestinas, acima de nomes conhecidos pelo clima ameno, como Vitória da Conquista e Morro do Chapéu.
O resultado é um clima tropical de altitude no meio do sertão baiano: neblina baixa cobrindo os morros de manhã, noites que exigem casaco o ano inteiro e mínimas de uma casa decimal no inverno. Nas madrugadas de julho, o termômetro da cidade serrana chega perto dos 3°C, marca que contraria quase tudo o que se costuma imaginar sobre a Bahia.

O café de montanha que venceu o principal concurso de qualidade do mundo
Essa combinação de altitude e frio virou vantagem econômica. Em 2022, o café produzido por Antônio Rigno de Oliveira Filho, na Fazenda Tijuco, em Piatã, foi o campeão do Cup of Excellence, com nota 91,41 em uma escala até 100. A competição é organizada no país pela Associação Brasileira de Cafés Especiais e reúne compradores do mundo inteiro em leilão.
O detalhe que impressiona o mercado é a constância. A mesma família soma quatro títulos, com vitórias em 2009, 2014, 2015 e 2022, e o segundo lugar daquela edição também saiu de Piatã, do Sítio Bonilha. Tudo isso com a variedade Catuaí, um café tradicional, disputando com grãos exóticos de custo muito mais alto.
O que fazer entre cachoeiras, cafezais e o topo do Nordeste
A cidade funciona como base para quem quer a Chapada Diamantina em versão montanhosa, sem as multidões dos roteiros mais conhecidos. As distâncias são curtas e os cenários mudam rápido, de campos de altitude a poços de água gelada. Estes são os pontos que organizam a visita:
- Pico do Barbado: ponto mais alto de todo o Nordeste, com 2.033,33 metros, dentro de uma área protegida de 63.652 hectares que alcança Piatã, segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
- Cachoeira do Patrício: queda alta cercada de mata fechada, alcançada por uma trilha curta com trechos íngremes a alguns quilômetros do centro.
- Cachoeira do Cochó: poço de água transparente com faixa de areia na borda, um dos banhos mais procurados da região.
- Serra da Tromba: mirante natural sobre a cidade e sobre as nascentes que descem para o Rio de Contas, com pôr do sol aberto.
- Roteiro do café: visitas a fazendas que recebem visitantes para ver a secagem em terreiro e provar a bebida no lugar onde ela nasce.
Quem sonha em conhecer os encantos da Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 1,3 milhão de visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra o frio e os cafés de Piatã:
Como é o clima de Piatã ao longo do ano
O padrão é o de serra, não o de sertão: chuvas concentradas no verão, seca longa no meio do ano e temperaturas amenas em qualquer estação. A amplitude entre dia e madrugada é o que mais surpreende quem chega:
Temperaturas aproximadas. As condições podem variar de um ano para o outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A Bahia que ninguém espera encontrar
Poucos lugares desmontam tão rápido a imagem pronta de um estado. Em Piatã, o mar está a centenas de quilômetros, o casaco fica na mochila o ano inteiro e a paisagem lembra mais uma serra do Sul do que o litoral baiano, com a diferença de render um dos melhores cafés do país.
Você precisa subir até Piatã e tomar uma xícara ainda quente no lugar onde o grão amadureceu devagar, a 1.268 metros de altitude.
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