Ao lado de Bath e Baden-Baden: a cidade do sul de Minas é a única fora da Europa na rota termal histórica do continente
As fontes minerais fazem parte da identidade turística há gerações
Poucas cidades brasileiras aparecem em circuitos oficiais europeus. Poços de Caldas, a 1.186 metros de altitude no sul de Minas Gerais, assinou em 2017 o termo de adesão à associação que administra a rota das cidades termais históricas da Europa. A ligação veio das águas sulfurosas que brotam a até 45°C a poucos metros do centro.
Como uma cidade mineira entrou em uma rota cultural europeia?
Pela porta portuguesa. A cidade é geminada com Caldas da Rainha desde 2001, e foi essa irmandade que abriu caminho para a adesão à European Historic Thermal Towns Association (EHTTA), assinada em maio de 2017 na própria cidade portuguesa, conforme a Prefeitura de Poços de Caldas. O nome do município mineiro, aliás, já homenageava a cidade do outro lado do Atlântico.
A associação foi criada em 2009 e administra a Rota Europeia das Cidades Termais Históricas, certificada pelo Conselho da Europa como rota cultural desde 2010. A rede reúne dezenas de balneários de vários países, entre eles Bath, na Inglaterra, Baden-Baden, na Alemanha, Vichy, na França, e Spa, na Bélgica, todos listados no site da EHTTA.

De onde vem a água que brota a 45°C
De um vulcão que colapsou muito antes de existir gente para vê-lo. As montanhas que cercam a cidade são a borda do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, uma caldeira de cerca de 800 km², com forma elíptica de 35 km no eixo maior, descrita em estudo da Universidade de São Paulo (USP) como um dos maiores conjuntos do mundo formados exclusivamente por rochas nefelínicas.
A chuva se infiltra pelas fraturas dessa rocha, aquece em profundidade e volta à superfície carregada de minerais. Segundo a Prefeitura, a água da Fonte Pedro Botelho chega a 45°C, a mais quente do grupo, com composição alcalina, bicarbonatada e sulfetada. O nome saiu de uma superstição antiga: Pedro Botelho era um dos apelidos do diabo, e a caldeira que levava esse nome seria a mais quente do inferno.

O que visitar entre as fontes e a serra?
Quase tudo cabe a pé ou em poucos minutos de carro, porque a cidade cresceu em volta das próprias nascentes. Estes são os endereços listados pela Secretaria de Turismo:
- Thermas Antônio Carlos: prédio neoclássico com salas de banho, duchas, saunas, ofurô e aparelhos de mecanoterapia da década de 1920, alimentado pela Fonte Pedro Botelho ao lado.
- Balneário Doutor Mário Mourão: fundado em 1896, é um dos mais antigos do país e oferece banhos de imersão com água a cerca de 37°C, na Praça Dom Pedro II.
- Cascata Véu das Noivas: três quedas no Ribeirão das Antas, uma delas com 10 metros, com trenzinho percorrendo a mata ciliar.
- Fonte dos Amores: criada em 1929 aos pés da Serra de São Domingos, guarda uma escultura em mármore do italiano Giulio Starace e é o ponto de partida da trilha até o Cristo Redentor.
- Pedra Balão: conjunto de blocos sobrepostos com 10 metros de altura, perto do mirante no alto da serra.
- Represa Bortolan: orla com bares, restaurantes e passeios de lancha e pedalinho, na estrada para Águas da Prata.
Quem sonha em conhecer o sul de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Gabrielle Paiva, que conta com mais de 10 mil visualizações, onde Gabrielle e Vitor mostram dicas e atrações de Poços de Caldas:
A cidade lidera o ranking de desenvolvimento de Minas Gerais
Poços de Caldas ficou em primeiro lugar no estado na edição 2025 do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, com nota geral de 0,8457. De acordo com a Prefeitura, o município aparece na 54ª posição nacional e é a única cidade mineira entre as cem melhores do país, puxada pelo indicador de emprego e renda, de 0,9796.
O reconhecimento se repete em outro levantamento. A cidade ocupou o 7º lugar entre os municípios mineiros no Índice de Felicidade Territorial de 2025, estudo que adapta ao Brasil a metodologia do World Happiness Report e avalia 12 dimensões, de saúde pública a mobilidade.
Como é o clima de Poços de Caldas ao longo do ano?
A altitude comanda tudo. Mesmo no auge do verão o calor raramente aperta, e o inverno seco costuma render madrugadas de um dígito na serra.
As condições podem variar bastante de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña. Vale acompanhar a previsão atualizada no Climatempo.
A serra onde a água quente virou identidade
O povoado nasceu por causa das fontes e nunca se afastou delas. Mais de dois séculos depois, a mesma água que atraiu os primeiros visitantes continua enchendo banheiras de porcelana no centro e colocando uma cidade mineira em um circuito que, fora daqui, só tem endereços europeus.
Você precisa subir a serra, tomar um banho sulfuroso pela manhã e terminar o dia no alto do Cristo, vendo o anel de montanhas que um vulcão deixou para trás.
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