No início dos anos 2000, o Brasil comprou o porta-aviões francês Foch por US$ 12 milhões: em 2023 ele afundou com tudo o que ainda estava a bordo
O que começou como a compra de um gigante da Marinha francesa terminou de uma das formas mais controversas possíveis
O que começou como a compra de um gigante da Marinha francesa terminou de uma das formas mais controversas possíveis: o antigo porta-aviões Foch, rebatizado de São Paulo pelo Brasil, foi levado ao fundo do Atlântico em 2023, depois de anos de problemas, tentativas frustradas de desmontagem e uma disputa envolvendo materiais perigosos.
Como o antigo Foch virou um problema para o Brasil?
Construído em Saint-Nazaire no fim dos anos 1950, o Foch passou 37 anos na Marinha francesa antes de ser comprado pelo Brasil em 2000 por cerca de US$ 12 milhões. Rebatizado de São Paulo, o navio tinha 265 metros e pesava 32.800 toneladas.
O problema é que a modernização necessária nunca foi concluída. Em 2005, uma ruptura de tubulação provocou uma explosão na sala de máquinas, matou três marinheiros e danificou gravemente o sistema de propulsão. O navio passou por uma longa recuperação, mas acabou retirado de serviço.
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Découvrez l'histoire du porte-avions Foch vendu par la France au Brésil et sabordé en 2023 avec ses tonnes d'amiante. pic.twitter.com/Z216TVbfKV
— Kateri Seraphina (@KateriSeraphina) September 12, 2026
Quais números revelam o tamanho do problema?
A trajetória do São Paulo mostra como um navio comprado por milhões de dólares perdeu valor e acabou se transformando em um enorme desafio logístico. Os principais números ajudam a dimensionar a situação:
A tentativa de transformar o antigo porta-aviões em sucata também fracassou. A empresa turca que comprou o navio recebeu autorização para levá-lo à Turquia, mas o país retirou a permissão quando a embarcação se aproximava de Gibraltar, citando a quantidade de amianto.
Por que o porta-aviões São Paulo ficou preso no meio do Atlântico?
Depois da recusa turca, o São Paulo foi rebocado novamente em direção ao Brasil. Só que as autoridades brasileiras também impediram sua entrada em águas territoriais. O gigantesco navio ficou, assim, sem destino definido enquanto sua estrutura continuava se deteriorando.
A situação chegou a um ponto crítico. Segundo a Marinha brasileira, o navio representava riscos ambientais e poderia afundar por conta própria. Depois de disputas judiciais envolvendo os possíveis impactos ambientais, o caminho para o desfecho foi liberado.
Conheça a história do antigo porta-aviões Foch, rebatizado de São Paulo pelo Brasil, no vídeo abaixo do canal “Weapon Detective“
Como o porta-aviões São Paulo foi parar no fundo do mar?
Em 3 de fevereiro de 2023, a Marinha brasileira detonou cargas para abrir a estrutura do porta-aviões. O São Paulo foi então afundado voluntariamente a aproximadamente 350 quilômetros do litoral brasileiro, em uma região com quase 5.000 metros de profundidade.
A decisão provocou forte reação de organizações ambientais. O principal ponto de preocupação era a presença de materiais potencialmente perigosos no interior do navio, incluindo uma quantidade estimada em cerca de 10 toneladas de amianto. As estimativas sobre o volume efetivamente liberado no naufrágio são contestadas.
Quanto custou afundar o antigo porta-aviões São Paulo?
O desfecho criou um paradoxo financeiro. O governo havia vendido o navio para desmontagem por R$ 10,55 milhões, mas informações obtidas posteriormente apontaram que a operação final envolvendo a Marinha custou aproximadamente R$ 37,2 milhões.
Ou seja, o valor gasto para solucionar o problema acabou superando em mais de três vezes o preço obtido com a venda da embarcação.
Havia ainda outra possibilidade: preservar o São Paulo como peça histórica e transformá-lo em museu. O Instituto São Paulo/Foch tentou viabilizar essa alternativa, mas não conseguiu impedir o destino final do antigo porta-aviões.
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