Peixes do abismo ficaram tão negros que alguns refletem apenas 0,044% da luz e praticamente desaparecem diante de olhos e câmeras
A adaptação também dificulta a captura de imagens por câmeras modernas, não só a percepção de outros animais

O que você vai ver
- O que significa refletir apenas 0,044% da luz.
- Como pesquisadores mediram essa pele ultra-negra.
- Por que esconder tanto presas quanto predadores faz sentido.
- Como flashes bioluminescentes poderiam denunciar uma silhueta.
- Por que essa adaptação também engana câmeras modernas.
Peixes que vivem nas profundezas do oceano desenvolveram uma pele tão negra que alguns exemplares refletem apenas 0,044% da luz incidente, adaptação que os faz praticamente desaparecer diante de olhos e câmeras no ambiente escuro do abismo.
O que significa refletir apenas 0,044% da luz?
Segundo o Smithsonian, pesquisadores mediram peixes de águas profundas cuja pele ultra-negra reflete apenas uma fração mínima da luz incidente, valor tão baixo que praticamente toda a luz que atinge o animal é absorvida em vez de refletida de volta ao observador.
Esse nível de absorção é comparável ao de materiais artificiais desenvolvidos especificamente para minimizar reflexão de luz, o que reforça o quão extrema é a adaptação encontrada naturalmente na pele desses peixes, resultado de processos evolutivos moldados pelas condições específicas do ambiente onde vivem.
"For the first time, an ultra-black skin color or pigmentation that protects 16 varieties of deep-sea fishes has been documented". (Karen Osborn / Smithsonian NMNH)
— Marina Amaral (@marinamaral2) December 30, 2020
WHAT THE HELL IS THIS pic.twitter.com/I73CYHoWkw
Como pesquisadores mediram essa pele ultra-negra?
Para quantificar o nível de absorção de luz da pele desses peixes, pesquisadores usaram equipamentos capazes de medir com precisão a quantidade de luz refletida por uma superfície, método que permitiu determinar valores tão baixos quanto 0,044% em alguns exemplares analisados.
Essa medição precisa foi essencial para confirmar cientificamente o quão extrema é a adaptação, já que a percepção visual humana isolada não seria suficiente para distinguir com exatidão diferenças tão sutis entre diferentes níveis de absorção de luz na pele de espécies distintas de águas profundas.
Por que esconder tanto presas quanto predadores faz sentido?
A adaptação ultra-negra ajuda a esconder tanto presas quanto predadores no ambiente de águas profundas, já que um peixe praticamente invisível pode se aproximar de possíveis presas sem ser notado, mas também escapar da detecção de predadores maiores que compartilham o mesmo ambiente escuro.
Essa dupla função da camuflagem extrema explica por que a adaptação pode ter surgido de forma vantajosa independentemente do papel ecológico específico de cada espécie, já que tanto caçadores quanto potenciais presas se beneficiam igualmente de reduzir ao mínimo sua visibilidade num ambiente onde a detecção visual pode significar a diferença entre sobreviver ou não.
Como flashes bioluminescentes poderiam denunciar uma silhueta?
Em ambientes de águas profundas, flashes bioluminescentes produzidos por outros organismos podem iluminar temporariamente a área ao redor, condição que representaria risco de exposição para peixes com pele comum, cuja silhueta poderia refletir parte dessa luz repentina e se tornar visível.
A pele ultra-negra reduz drasticamente esse risco, já que mesmo diante de um flash de bioluminescência inesperado, a quantidade mínima de luz refletida pela pele do peixe dificulta que sua silhueta seja denunciada, mantendo a camuflagem eficaz mesmo em momentos de iluminação temporária e imprevisível.
Meet the Knifetooth Dogfish (Scymnodon ringens) a creepy but absolutely harmless species of deep sea shark that predates on small prey such as squids, crustaceans and small deep sea fishes. In Spain, it is known by the common name "Bruja" (witch). pic.twitter.com/oRyoVkmIgf
— Sharks Daily 🦈 (@SharksEveryDayy) October 1, 2022
Por que essa adaptação também engana câmeras modernas?
A pele ultra-negra desses peixes de águas profundas dificulta não apenas a percepção visual de outros animais, mas também a captura de imagens por câmeras modernas, equipamentos que dependem justamente da luz refletida por uma superfície para gerar uma imagem detectável do objeto fotografado.
Essa capacidade de escapar até de equipamentos tecnológicos projetados especificamente para captar luz em condições difíceis reforça o quão extrema é essa adaptação evolutiva, já que a pele desses peixes consegue superar tanto os limites da percepção biológica quanto os de instrumentos ópticos desenvolvidos por humanos para observar o ambiente marinho profundo.
- Alguns peixes de águas profundas refletem apenas 0,044% da luz incidente sobre a pele.
- Pesquisadores mediram essa reflexão mínima com equipamentos ópticos de precisão.
- A adaptação esconde tanto presas quanto predadores no mesmo ambiente escuro.
- A pele ultra-negra também dificulta a captura de imagens por câmeras modernas.
Adaptações que exploram condições extremas de luz também aparecem em outros relatos, como o caso dos octocorais que acendem ondas azuis e verdes ao serem tocados, possível alarme contra predadores.
Mais detalhes sobre os peixes ultra-negros estão disponíveis no site oficial do Smithsonian.
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