Vorcaro gastou US$ 55 milhões com turismo de luxo em um ano
Viagens com Ciro Nogueira estão entre as despesas analisadas pela PF no caso Master
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, gastou US$ 55,3 milhões em menos de um ano com serviços de luxo da Signature Luxury Services LLC, segundo informações reunidas no inquérito do caso Master e publicadas pelo g1.
Entre os beneficiários de viagens custeadas pelo banqueiro estava o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido ao menos R$ 468 mil em vantagens econômicas.
Os gastos ocorreram entre novembro de 2024 e dezembro de 2025 e foram pagos pela Mosaic Financial Ltd., corretora de valores sediada nas Bahamas.
O levantamento consta de um relatório de inteligência financeira do Coaf, com dados fornecidos por instituições financeiras.
A Signature afirmou ao STF que Vorcaro estava entre seus clientes mais assíduos e tinha “elevado nível de exigências”.
Os serviços incluíam hospedagem, aluguel de aeronaves e barcos, vilas de luxo, eventos privados e serviços de concierge.
Ciro Nogueira
Entre os deslocamentos analisados pela PF estão viagens a Nova York, em maio de 2024, e Courchevel, na França, em janeiro de 2025.
Ciro Nogueira acompanhou Vorcaro nas duas ocasiões, com despesas custeadas pelo banqueiro.
Em Nova York, a Signature organizou a participação de Vorcaro e seus convidados no evento “Person of the Year”, da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. O grupo ficou hospedado no Park Hyatt New York e teve despesas com restaurantes, eventos, seguro-viagem, bebidas e charutos.
Em Courchevel, Vorcaro também pagou despesas de Ciro, incluindo roupas de frio e restaurantes.
Segundo a PF, conversas mantidas entre Ciro Nogueira e Vorcaro evidenciam “elevado grau de proximidade pessoal”, materializada por registros de encontros frequentes em ambientes privados, viagens internacionais e reuniões sociais recorrentes.
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Mendonça levanta sigilos
Nesta sexta-feira, o ministro André Mendonça decidiu levantar o sigilo de todas as investigações que estavam em sua alçada e que tem alguma ligação com o caso do Banco Master.
Após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), além de insistentes pedidos de Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, Mendonça decidiu tornar públicas as investigações sobre o caso Dark Horse, sobre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, sobre Ciro Nogueira e sobre Jaques Wagner.
Ao defender o levantamento de todas as peças que estavam nas mãos de Mendonça, Alexandre de Moraes acusou o colega de promover um “levantamento seletivo e direcionado” de documentos sob sigilo para proteger “determinado grupo político”.
“O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizado pelo Ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político, repete a ilegal conduta de direcionamento dos acordos de colaboração premiada e de determinações de diligências de investigação de ofício contra alvos predeterminados”, escreveu.
No texto, Moraes não diz qual seria o “grupo político” que Mendonça estaria protegendo.
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