Roberto Reis na Crusoé: Por que Lula está tão mal
O presidente não conseguiu convencer o eleitor de que os próximos quatro anos serão melhores
O desgaste de Lula reúne problemas de governo, frustrações econômicas e mudanças na sociedade.
Os fatos recentes apenas encontram um eleitor que já vinha perdendo a disposição de oferecer mais quatro anos ao presidente.
É disso que tenho tratado ao falar de ciclos políticos. Para entender uma possível derrota de Lula, precisamos começar pelo último mês e voltar vinte anos.
No último mês
O medo da continuidade de Lula associada ao poder de setores do STF pode estar reduzindo a resistência a Flávio Bolsonaro entre eleitores que nunca gostaram dele.
Parte da direita não bolsonarista enxerga a crise do Supremo como sinal de desequilíbrio entre os poderes. Minha leitura é que o receio de um “tapetão” incentiva o voto útil. Essa percepção não comprova uma ação conjunta entre governo e tribunal.
O raciocínio pode ser resumido assim: “Acho Flávio muito ruim. Mas temo ainda mais a continuidade desse arranjo de poder. Prefiro dar uma chance à alternância”.
Esse eleitor não precisa passar a admirar Flávio. Basta que a permanência de Lula lhe pareça mais arriscada. O “jamais votaria” começa a encontrar uma exceção.
Há um horizonte concreto: entre 2027 e 2030, estão previstas três aposentadorias obrigatórias no STF: as de Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. O presidente indicará os substitutos, com aprovação do Senado. A eleição terá consequências por muitos anos.
Lula se beneficiou, em 2022, do…
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