O animal que possui três corações e consegue mudar a cor do corpo em questão de segundos
Três corações e uma pele controlada por milhares de estruturas permitem ao polvo transformar rapidamente sua aparência
O Octopus vulgaris, conhecido como polvo-comum, reúne duas características que parecem saídas de uma história de ficção: possui três corações e consegue transformar rapidamente a aparência da própria pele. Essa mudança não acontece por tinta espalhada sobre o corpo, mas por um sofisticado sistema controlado pelo sistema nervoso que permite alterar cores, padrões e até parte da textura para se esconder ou se comunicar.
Por que o polvo-comum possui três corações?
Como outros cefalópodes, o polvo possui dois corações branquiais e um coração sistêmico. Os dois primeiros impulsionam o sangue pobre em oxigênio em direção às brânquias, onde ocorre a troca gasosa, enquanto o coração sistêmico recebe o sangue oxigenado e o distribui para o restante do corpo.
O sangue também apresenta uma particularidade importante. Em vez da hemoglobina rica em ferro utilizada pelos humanos, os cefalópodes transportam oxigênio principalmente com hemocianina, uma molécula que contém cobre e dá ao sangue uma tonalidade azulada. Esse sistema circulatório está adaptado às exigências fisiológicas desses animais marinhos.
Como o polvo-comum muda de cor tão rapidamente?
Grande parte da transformação acontece graças aos cromatóforos, pequenos órgãos pigmentados distribuídos pela pele. Cada um contém pigmento e está conectado a fibras musculares controladas por nervos. Quando esses músculos se contraem, o saco pigmentado se expande e torna determinada cor muito mais visível.
Como milhares dessas estruturas podem ser controladas de maneira coordenada, o polvo consegue produzir manchas, faixas e padrões complexos rapidamente. Estudos sobre cefalópodes indicam que determinados cromatóforos podem alterar sua expressão em frações de segundo, permitindo mudanças perceptíveis quase instantaneamente.
- Cromatóforos controlam pigmentos na superfície da pele.
- Iridóforos refletem determinados comprimentos de onda da luz.
- Leucóforos espalham a luz e produzem regiões claras.
- Músculos da pele também podem modificar sua textura.
- O sistema nervoso coordena grande parte dessas alterações.
Este vídeo do National Geographic mostra diferentes características dos polvos, incluindo sua capacidade de camuflagem.
A mudança de cor serve apenas para esconder o animal?
Não. A camuflagem é uma das funções mais conhecidas, permitindo que o animal combine padrões e contrastes da pele com pedras, areia ou outros elementos do fundo marinho. Alguns polvos também conseguem modificar a textura superficial do corpo, aumentando ainda mais a semelhança com o ambiente ao redor.
As mudanças de aparência também podem participar de sinais comportamentais. Diferentes padrões podem aparecer durante interações com outros animais, situações defensivas ou mudanças no estado comportamental, mostrando que a pele dos cefalópodes funciona simultaneamente como sistema de camuflagem e superfície de comunicação.
Como o polvo escolhe as cores se sua visão funciona de maneira diferente?
A maioria dos cefalópodes estudados possui apenas um tipo principal de pigmento visual e é considerada incapaz de distinguir cores da mesma forma que humanos. Mesmo assim, consegue analisar características como brilho, contraste, formas e padrões do ambiente e produzir uma aparência extremamente semelhante ao fundo.
A informação captada pelos olhos é processada pelo sistema nervoso, que envia comandos para os componentes da pele. O resultado surge da interação entre cromatóforos pigmentados, iridóforos refletores e leucóforos que espalham a luz, formando uma espécie de tela biológica dinâmica.

Quais estruturas permitem mudanças tão rápidas na aparência?
Os cromatóforos respondem mais rapidamente porque seus sacos pigmentados são diretamente movimentados por fibras musculares. Um estudo sobre sistemas inspirados na pele dos cefalópodes registra tempos de ativação na faixa aproximada de 250 a 750 milissegundos para esse mecanismo pigmentário.
Outras estruturas apresentam comportamentos diferentes. Iridóforos produzem efeitos por reflexão da luz, enquanto leucóforos funcionam como espalhadores que ajudam a criar regiões claras. Juntos, esses sistemas ampliam enormemente a quantidade de padrões que o animal consegue apresentar.
Por que o polvo-comum interessa tanto aos cientistas?
A pele desses animais é um exemplo extraordinário de controle rápido de materiais biológicos. Pesquisadores estudam seus cromatóforos para compreender melhor a comunicação neural, a camuflagem e até desenvolver materiais artificiais capazes de modificar aparência em resposta ao ambiente.
O Smithsonian Ocean explica o funcionamento dos três corações e outras adaptações dos cefalópodes. A combinação de circulação incomum e pele controlada pelo sistema nervoso transforma o polvo em um modelo valioso para estudar como evolução, fisiologia e comportamento podem produzir soluções biológicas extremamente sofisticadas.
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