Grupo de Vorcaro tinha documento interno da PF e evitou citá-lo à corporação
Certidão da PF circulou entre integrantes do grupo, e policial aposentado orientou não mencioná-la em resposta à corporação
O grupo ligado a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teve acesso a uma certidão de uso interno da Polícia Federal (PF) relacionada a Henrique Vorcaro – pai do ex-banqueiro -, segundo relatório da própria corporação que teve o sigilo derrubado.
O documento mostra que, após a certidão circular entre Vorcaro, Felipe Mourão e integrantes da chamada “A Turma”, o ex-policial federal Marilson Roseno da Silva orientou como deveria ser respondido um ofício da PF e alertou para que a certidão não fosse mencionada, exatamente por se tratar de um “documento interno”.
“No dia 08/02/2024, às 11:40:08, Daniel Vorcaro encaminhou uma certidão expedida pela DELECOR/SR/PF/RJ ao sócio da empresa Milo Investimentos, Henrique Vorcaro, que cobrava a resposta ao ofício 4109894 que até aquela data não havia sido enviada pelo referido sócio”, diz o relatório da PF.
“Em seguida, Felipe Mourão disse: ‘já pedi A turma olhar isto já’ e reencaminhou duas mensagens, provavelmente recebidas do Policial Federal Marilson Roseno da Silva com o seguinte teor: ‘Essa eh aquela demanda que te mandei do que se tratava . Ficou do Henrique mandar a eles uma justificativa, lembra?’”.
Vorcaro perguntou se a resposta ao ofício, citado na certidão, deveria ser feita por escrito. “Felipe Mourão respondeu com um áudio do Policial Federal Marilson Roseno da Silva no qual ele afirmou que aquele procedimento se originou no MPF do RJ e que foi providenciado que, para o não comparecimento de Henrique Vorcaro, ele deveria responder o ofício inserindo as explicações pertinentes, sendo o mais convincente possível”, prossegue a PF.
Conforme a corporação, “Marilson ainda frisou que essa resposta deveria ser providenciada para evitar complicações posteriores e pediu certa prioridade, inclusive, lembrou que já havia falado sobre esse assunto no mês dezembro”.
Posteriormente, “Marilson reafirmou que o procedimento veio do MPF e que por isso não tinha como bloquear. Que fizeram aquilo que deu pra fazer, mas que o melhor seria resolver o quanto antes”.
Depois, “Felipe reencaminhou um áudio complementar de Marilson no qual ele lembrou que não deveria ser feita referência a certidão nº 5108590/2023, pois se tratava de documento interno”.
Segundo a PF, nesses trechos chamaram a atenção “o cuidado de Marilson em não fazer referência do número da certidão na resposta que deveria ser encaminhada à DELECOR/SR/PF/RJ, uma vez que se tratava de documento interno, ou seja, aparentemente havia uma preocupação com a forma como foi obtida a referida certidão”.
Queda do sigilo
Atendendo a um pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, o ministro André Mendonça determinou, na noite desta quinta-feira, 11, a derrubada do sigilo do caso Master na Corte.
Fachin decidiu fazer o pedido ao colega após uma rodada de conversas com os integrantes do STF para medir a temperatura do julgamento do pedido de providências contra Alexandre de Moraes, por conta das trocas de mensagens entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro.
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Comentários (1)
Annie
11.09.2026 10:57Tem que investigar a PF também está tudo contaminado.