Cientistas desceram 200.000 barris de resíduos radioativos no fundo do mar há décadas e agora fizeram uma descoberta especial nas profundeza
Mais de 200 mil barris com resíduos radioativos foram abandonados no oceano no século passado; agora, pesquisadores encontraram sinais de deterioração e investigam o impacto sobre a vida marinha.
Durante décadas, mais de 200 mil barris contendo resíduos radioativos permaneceram no fundo do Atlântico Norte, a milhares de metros de profundidade.
Em uma nova expedição, pesquisadores chegaram perto dos recipientes e fizeram uma descoberta que aumenta a preocupação: vários apresentam corrosão intensa, alguns com material espalhado pelo sedimento.
O que os cientistas encontraram no fundo do oceano?
A missão NODSSUM realizou 20 mergulhos com o submarino tripulado Nautile entre maio e junho de 2026. Os pesquisadores chegaram a mais de 4.700 metros de profundidade para observar diretamente os antigos recipientes.
As imagens revelaram barris bastante degradados e sinais de material liberado sobre o fundo marinho. Instrumentos também identificaram radionuclídeos acima dos níveis normalmente esperados na região, embora a dimensão do impacto ainda esteja sendo investigada.
Entre 1950 et 1990, plus de 200 000 fûts de déchets radioactifs ont été immergés dans les abysses de l'Atlantique Nord-Est, par 4 700 mètres de fond.
— L'Observatoire 🛰️ (@Observatoire_Fr) July 8, 2026
Après une première mission en 2025 pour cartographier la zone, le projet Nodssum (CNRS, Ifremer, ASNR et partenaires… pic.twitter.com/W5XgpG7MUe
Por que existem tantos barris radioativos no Atlântico?
Os recipientes foram descartados entre a segunda metade do século XX e o início dos anos 1990, quando o despejo de resíduos radioativos no oceano ainda era utilizado como método de descarte. Eles foram depositados em áreas profundas do Atlântico, a centenas de quilômetros da costa europeia.
O material era considerado principalmente de baixa atividade radioativa e incluía resíduos de pesquisas, equipamentos contaminados e outros materiais provenientes de atividades nucleares. A prática acabou sendo proibida internacionalmente.
Confira uma matéria sobre os 200 mil barris contendo resíduos radioativos no vídeo abaixo do canal “elDiarioes“.
O que aconteceu com os barris de resíduos radioativos depois de décadas?
A passagem do tempo deixou marcas evidentes nos recipientes. A missão encontrou estruturas corroídas e investigou se elementos radioativos estão migrando dos barris para o sedimento e para o ecossistema ao redor.
Para entender o processo, os cientistas coletaram amostras do ambiente próximo e distante dos barris. Entre os principais materiais analisados estão:
A vida marinha também chegou aos recipientes?
Um dos aspectos mais curiosos da expedição foi encontrar organismos vivendo sobre ou próximos aos barris. Esponjas, anêmonas, caranguejos e outras espécies ocupam essas estruturas artificiais em uma região dominada por sedimentos.
Isso cria uma situação inesperada: recipientes que originalmente representavam resíduos industriais passaram a funcionar como pequenas superfícies para a colonização da fauna do fundo do mar.
O risco dos resíduos radioativos já foi confirmado?
Os pesquisadores detectaram sinais de radionuclídeos associados aos resíduos, incluindo cobalto-60 e nióbio-94. Porém, isso ainda não significa que exista uma ameaça ambiental de grande escala, já que os cientistas precisam determinar a origem, concentração e comportamento desses elementos.
As amostras coletadas serão analisadas em laboratório para descobrir se a corrosão dos barris está provocando transferência de material radioativo para o ambiente e se organismos estão incorporando esses elementos. O resultado pode revelar, pela primeira vez com maior precisão, o que aconteceu com esse enorme depósito abandonado no fundo do Atlântico.
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