Eduardo aponta “extorsão” em operação sobre ‘Dark Horse’
Produtora do filme relatou "pressão" para delatar o senador Flávio Bolsonaro
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) criticou nesta quinta, 10, a operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino contra o deputado Mário Frias (PL) e a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’.
Eduardo compartilhou, em suas redes sociais, uma reportagem da Veja sobre a apreensão, pela Polícia Federal (PF), de um documento em que Karina relata a pressão que estaria recebendo para delatar o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
“Fishing expedition é coisa do passado, negócio hoje é EXTORSÃO via ABUSO DE PODER da QUADRILHA mesmo”, escreveu no X.
Na postagem, Eduardo afirma que a operação da PF é uma “cortina de fumaça” para, segundo ele, esconder as ligações entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua família, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“A verdade é que este sistema podre está desesperado por uma cortina de fumaça para esconder os contratos milionários da esposa de Moraes, o cartão de crédito de R$ 300.000 para cada filho de Moraes, o jatinho de R$ 50 milhões de Vorcaro para a mulher de Moraes… aqui está o desespero deles, que conta com total apoio de Lula.”
Pressão?
O documento é uma declaração juramentada em que Karina conta ter sofrido abordagens do empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, de um pastor evangélico e de um jornalista.
Natural do Maranhão, o empresário teria se apresentado como alguém que possui “grande proximidade com o ministro Flávio Dino”, relator de um dos inquéritos envolvendo a produção de Dark Horse.
“No dia 20 de maio de 2026, fui procurada pelo Dr. Fernando Sarney. Não o atendi naquela oportunidade, tendo o contato efetivamente ocorrido apenas no dia 22 de maio de 2026, às 9h07. Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma ‘delação premiada’”, diz o documento.
“Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida. Minha posição sempre foi a de esclarecer os fatos mediante a apresentação dos documentos pertinentes e o regular exercício do direito de defesa”, segue.
Pastor
O pastor citado por Karina também teria dito “possuir proximidade com pessoas integrantes do Governo Federal e com ministros do Supremo Tribunal Federal”.
“Relatou-me que teria conversado com pessoas ligadas a essas autoridades e que lhe teriam solicitado que entrasse em contato comigo para transmitir a possibilidade de realização de uma ‘delação premiada’, apresentada, segundo suas palavras, como uma forma de me retirar do risco de uma possível ‘complicação’. Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma ‘delação premiada’, nada ocorreria comigo e eu não seria alvo de nenhuma operação policial”, continua Karina.
Jornalista
A dona da Go Up Entertainment também relata uma conversa que teve com um jornalista que “já havia anteriormente formulado questionamentos relacionados à possibilidade de eu realizar uma delação premiada, no sentido de me incentivar a realizar tal procedimento”.
“Nesse novo contato, afirmou que eu estaria ‘servindo de bucha de canhão para o candidato’, em aparente referência ao contexto político relacionado aos fatos atualmente investigados, dando a entender que, se eu não fizesse nenhuma colaboração premiada, eu poderia ser alvo de medidas judiciais”, diz Karina.
“Segundo o contexto que me foi apresentado por tais interlocutores, se eu não fizesse uma delação premiada, assumindo que alguma irregularidade teria ocorrido na produção do filme, o que seria equivalente a dizer mentiras, eu poderia ser alvo de operações policiais contra a minha pessoa. Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito. E estou registrando aqui aquilo que efetivamente me foi comunicado por terceiros, justamente para preservar contemporaneamente os fatos e permitir sua posterior verificação pelas autoridades competentes, caso necessário”, conclui.
Não tem o que delatar
Na véspera da operação, Karina Gama telefonou para uma colunista da Folha de S.Paulo, afirmando que se sentia ameaçada e não tinha o que delatar.
“Estou apavorada”, disse.
“Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, acrescentou, alegando não entender a razão de estar sendo ameaçada.
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Comentários (1)
Joaquim Duran
10.09.2026 19:32Extorsão é pedirem 134 milhões pra fazer esse filme...