O inseto que percorre milhares de quilômetros em várias gerações até completar uma migração que nenhum indivíduo consegue realizar sozinho
A impressionante jornada continental da borboleta-monarca funciona como um revezamento biológico entre diferentes gerações
A descrição corresponde principalmente à borboleta-monarca (Danaus plexippus), protagonista de um dos deslocamentos mais extraordinários conhecidos entre os insetos, pois a migração da monarca funciona como uma espécie de revezamento entre gerações, ligando áreas do México, dos Estados Unidos e do Canadá ao longo de um ciclo anual de milhares de quilômetros.
Como a migração da monarca consegue atravessar milhares de quilômetros?
Na população migratória do leste da América do Norte, as monarcas passam o inverno em florestas montanhosas do centro do México e começam a seguir para o norte na primavera, mas grande parte das borboletas que inicia essa viagem não chega às regiões mais distantes dos Estados Unidos e do Canadá.
Elas acasalam e depositam ovos principalmente em plantas do gênero Asclepias, conhecidas como milkweeds, antes de morrer, enquanto seus descendentes continuam avançando para o norte, repetindo o processo até que novas gerações alcancem as áreas de reprodução mais setentrionais.
Por que a migração da monarca depende de várias gerações?
As primeiras gerações da primavera e do verão têm vida adulta relativamente curta, geralmente de poucas semanas, por isso cada uma percorre somente uma parte do deslocamento para o norte, reproduz-se e deixa a continuação da rota para os descendentes.
A última geração do ciclo é diferente, pois apresenta maturação reprodutiva atrasada e pode sobreviver por seis a nove meses, condição que permite realizar a longa viagem de retorno às áreas mexicanas de inverno antes de reiniciar o ciclo na primavera seguinte.
- Primeira geração: deixa o México e avança pelo sul dos Estados Unidos;
- Gerações seguintes: continuam rumo ao norte enquanto se reproduzem;
- Geração final: nasce mais ao norte e realiza a longa viagem de volta ao México;
- Novo ciclo: sobreviventes voltam a avançar para o norte na primavera.
Este vídeo da National Geographic acompanha a metamorfose e parte do extraordinário ciclo migratório da borboleta-monarca.
Como as novas borboletas sabem para onde precisam seguir?
Uma das características mais impressionantes é que as monarcas que retornam ao México nunca estiveram anteriormente nas mesmas áreas de inverno, e nem precisam aprender o percurso acompanhando indivíduos que realizaram aquela viagem no ano anterior.
A orientação envolve mecanismos biológicos herdados e sinais ambientais, incluindo a posição do Sol e um relógio circadiano associado ao sistema de navegação, permitindo que a população mantenha uma direção migratória apropriada mesmo sem uma memória individual da rota completa.
Um único indivíduo realmente não consegue completar toda a viagem?
Essa afirmação precisa de uma correção importante, pois nenhum indivíduo completa sozinho todo o ciclo anual de ida ao norte e retorno ao México, porém uma única monarca da geração final pode percorrer praticamente toda a longa rota de outono em direção ao sul.
O National Park Service registra trajetos de até cerca de 3.000 milhas, aproximadamente 4.800 quilômetros, para monarcas migratórias orientais, enquanto as gerações anteriores percorrem segmentos menores durante a recolonização progressiva das áreas ao norte.

Quais números ajudam a entender o tamanho dessa jornada?
O ciclo completo pode envolver aproximadamente quatro gerações ao longo de um ano, embora condições ambientais e localização influenciem sua dinâmica, portanto não existe uma divisão absolutamente rígida para todas as populações de Danaus plexippus.
Segundo informações do National Park Service sobre a migração das monarcas, as gerações reprodutivas podem viver apenas duas a seis semanas, enquanto a geração migratória final pode alcançar cerca de nove meses.
| Característica | Referência aproximada |
|---|---|
| Distância máxima citada | Até cerca de 4.800 km |
| Gerações do ciclo | Cerca de quatro |
| Vida das gerações curtas | Aproximadamente 2 a 6 semanas |
| Geração migratória | Pode viver até cerca de 9 meses |
Por que a migração da monarca é tão importante para a ciência?
A jornada mostra como um comportamento migratório pode existir no nível da população mesmo quando diferentes indivíduos assumem partes distintas do percurso, transformando sucessivas gerações em componentes de um mesmo ciclo biológico continental.
Esse fenômeno também torna a espécie dependente de habitats distribuídos por vários países, incluindo áreas com plantas hospedeiras para reprodução, locais de alimentação durante a viagem e florestas adequadas para passar o inverno, razão pela qual alterações em diferentes partes da rota podem repercutir em todo o sistema migratório.
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