O vulcão que possui um lago extremamente ácido dentro da cratera e libera gases capazes de tornar a aproximação perigosa para pesquisadores
Na ilha de Java, uma cratera reúne água hiperácida, fumarolas de enxofre e condições que exigem cuidados especiais durante pesquisas
Na ilha de Java, na Indonésia, existe uma cratera vulcânica preenchida por água azul-turquesa que esconde uma química extrema. O Kawah Ijen abriga um lago hipersalino e altamente ácido, cercado por fumarolas que liberam gases vulcânicos ricos em compostos de enxofre. A combinação entre acidez, calor, terreno íngreme e emissões gasosas faz com que trabalhos científicos perto da água exijam monitoramento e equipamentos de proteção.
Por que o lago do Kawah Ijen é tão ácido?
O lago ocupa a cratera ativa do complexo vulcânico Ijen e recebe continuamente fluidos hidrotermais e gases provenientes do interior do vulcão. Compostos vulcânicos dissolvidos na água formam ácidos fortes e mantêm concentrações extremamente elevadas de elementos dissolvidos. O Smithsonian descreve o local como um dos maiores corpos naturais de salmoura hiperácida conhecidos.
Medições realizadas em diferentes períodos mostram que a acidez varia conforme chuva, temperatura e atividade hidrotermal. Em dezembro de 1998, valores de pH entre aproximadamente 0,36 e 0,60 foram registrados em partes do lago. Em uma campanha de 2006, pesquisadores chegaram a medir pH próximo de zero, demonstrando condições muito mais ácidas do que as encontradas na maioria dos ambientes naturais.
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Quais gases tornam a aproximação do Kawah Ijen perigosa?
Na margem sudeste do lago existe um campo de fumarolas intensamente ativo. Essas aberturas liberam vapor, dióxido de carbono, dióxido de enxofre e sulfeto de hidrogênio, entre outros componentes. Dependendo da direção do vento e da concentração, esses gases podem irritar olhos e vias respiratórias e criar condições perigosas para quem permanece próximo às emissões.
Pesquisas também registraram temperaturas muito elevadas nas fumarolas. Em 1998, uma medição chegou a 224 °C em uma solfatara. Estudos posteriores estimaram emissões médias de aproximadamente 200 toneladas de dióxido de enxofre por dia em determinado período, mostrando que o risco não vem apenas da água ácida, mas também da atmosfera imediatamente ao redor da cratera.
- Fumarolas liberam gases ricos em enxofre.
- Dióxido de enxofre pode causar forte irritação respiratória.
- Sulfeto de hidrogênio também pode estar presente.
- Mudanças no vento alteram rapidamente a exposição.
- Temperatura e atividade vulcânica aumentam os riscos locais.
Este vídeo documental mostra a descida até a região das fumarolas do Kawah Ijen e as condições enfrentadas por trabalhadores próximos às emissões de enxofre.
Como o Kawah Ijen mantém um lago dentro de uma cratera ativa?
A água de chuva entra na depressão da cratera, mas não permanece quimicamente isolada. Gases e fluidos hidrotermais sobem pelo sistema vulcânico e interagem continuamente com o lago. Essa entrada de material quente e mineralizado modifica temperatura, composição e acidez da água.
O Smithsonian registra que o lago mede aproximadamente 700 por 800 metros em determinadas descrições e está instalado dentro de uma cratera com cerca de 700 metros de largura e aproximadamente 200 metros de profundidade. A água também alimenta o sistema do rio Banyu Pahit, cujo próprio nome está associado às características ácidas da drenagem.
O famoso fogo azul do vulcão vem do próprio lago?
Não. O brilho azul observado em algumas noites não é lava azul e tampouco resulta diretamente da água do lago. Ele ocorre quando gases ricos em enxofre atingem temperaturas suficientes para entrar em combustão, produzindo chamas azuladas que se destacam principalmente no escuro.
O fenômeno acontece junto às áreas de emissão de enxofre e ajudou a transformar Ijen em destino turístico, mas também pode levar visitantes a subestimar os riscos. O Global Volcanism Program do Smithsonian documenta tanto o lago hiperácido quanto a intensa atividade fumarólica e a histórica extração de enxofre realizada nas proximidades da margem.

Que números mostram as condições extremas dentro da cratera?
Os valores registrados no Ijen mudam ao longo do tempo, portanto não devem ser tratados como constantes. Campanhas científicas já encontraram temperaturas superficiais do lago acima de 30 °C, enquanto fontes sublacustres e fumarolas podem atingir valores muito maiores. A composição também varia conforme chuva e atividade do sistema hidrotermal.
Esses dados ajudam a entender por que pesquisadores precisam combinar equipamentos de medição, proteção respiratória e avaliação das condições meteorológicas. Uma mudança aparentemente simples na direção do vento pode transportar uma pluma concentrada de gases até pessoas que trabalham na borda da cratera.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Dimensão aproximada do lago | 700 × 800 m |
| pH já medido | Próximo de 0 em campanhas científicas |
| Temperatura registrada em solfatara | Até 224 °C em 1998 |
| Fluxo de SO₂ estimado em estudo | Cerca de 200 toneladas por dia |
Por que esse lago ácido interessa tanto aos pesquisadores?
O Ijen funciona como um laboratório natural para estudar sistemas hidrotermais, interação entre gases vulcânicos e água, formação de minerais e alterações que podem anteceder mudanças na atividade do vulcão. Variações de temperatura, composição química e emissões gasosas ajudam cientistas a acompanhar o comportamento do sistema.
Ao mesmo tempo, essa ciência precisa ser realizada em um ambiente hostil. O lago turquesa pode parecer tranquilo à distância, mas reúne água hiperácida, fontes quentes e gases potencialmente perigosos. É justamente essa combinação entre aparência serena e química extrema que transforma a cratera em um dos ambientes vulcânicos mais incomuns do planeta.
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