A montanha que continua crescendo lentamente e muda de altura ao longo do tempo por causa do movimento das placas tectônicas
A colisão entre Índia e Eurásia ainda eleva o Himalaia enquanto erosão e terremotos modificam lentamente sua forma
O Monte Everest parece uma estrutura imóvel, mas faz parte de uma cadeia montanhosa geologicamente ativa. A colisão contínua entre a placa Indiana e a placa Eurasiana ainda comprime e eleva o Himalaia. O Monte Everest continua crescendo, mas em escala de milímetros por ano, enquanto movimentos horizontais das placas chegam a vários centímetros. Terremotos, erosão e outros processos também podem alterar sua posição e altitude ao longo do tempo.
Por que o Monte Everest ainda continua crescendo?
O Himalaia começou a se formar dezenas de milhões de anos atrás quando a placa Indiana avançou em direção à Eurásia. Como ambas carregam crosta continental relativamente espessa e pouco densa, a colisão provocou intensa compressão, dobramento, falhamento e espessamento da crosta, elevando progressivamente a região.
Esse processo não terminou. A Índia continua avançando para o norte alguns centímetros por ano, embora apenas parte desse deslocamento seja convertida em elevação vertical. Por isso, é impreciso afirmar que o Everest cresce vários centímetros em altura anualmente. Medições recentes por GPS apontam crescimento da ordem de aproximadamente 2 milímetros por ano para o pico e suas proximidades.
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Como o movimento das placas consegue levantar uma montanha inteira?
A pressão gerada pela convergência continental deforma enormes blocos da crosta. Falhas permitem que partes das rochas sejam empurradas umas sobre as outras enquanto outras regiões se dobram e engrossam, transformando gradualmente o relevo. Em milhões de anos, deslocamentos aparentemente insignificantes conseguem produzir cadeias montanhosas gigantescas.
O fenômeno continua acontecendo porque a placa Indiana permanece em movimento. Entretanto, a altura observada resulta do equilíbrio entre processos diferentes, e não apenas do empurrão tectônico.
- A placa Indiana continua avançando para o norte.
- A crosta do Himalaia permanece sob compressão.
- Falhas tectônicas acomodam parte desse movimento.
- A erosão remove continuamente material das montanhas.
- Terremotos podem provocar deslocamentos repentinos em poucos segundos.
Este vídeo apresenta a formação geológica do Himalaia e explica como a colisão continental continua moldando a cadeia.
Quanto o Monte Everest realmente cresce por ano?
Uma pesquisa divulgada pela University College London em 2024 apontou que medições de GPS mostram o Everest e picos próximos aumentando de altitude em aproximadamente 2 milímetros por ano atualmente. O valor não representa uma regra imutável, porque diferentes mecanismos geológicos podem acelerar ou reduzir temporariamente a mudança.
O estudo também identificou outro componente além da tectônica tradicional. A erosão causada pelo sistema fluvial Arun remove enorme quantidade de rocha das proximidades, diminuindo a carga sobre a crosta. Como resposta, ocorre um levantamento isostático, semelhante a uma superfície que sobe quando parte do peso sobre ela é retirada.
A montanha pode crescer e diminuir ao mesmo tempo?
Sim. Enquanto processos tectônicos e isostáticos elevam a região, chuva, gelo, rios, deslizamentos e vento removem material. A altura final da montanha resulta dessa competição permanente entre elevação e erosão. Por isso, “crescimento” não significa que cada centímetro de rocha permaneça indefinidamente no topo.
Grandes terremotos podem acrescentar ainda mais complexidade. Após o terremoto de magnitude 7,8 ocorrido no Nepal em 2015, dados analisados pelo USGS indicaram que o Everest se deslocou aproximadamente 3 centímetros para sudoeste, sem mudança detectável de altura naquele levantamento.

Quais números mostram como o Monte Everest continua mudando?
A altitude oficial moderna do Everest é aproximadamente 8.848,86 metros. O valor é resultado de levantamentos geodésicos e não deve ser confundido com a velocidade anual de crescimento. A montanha pode sofrer deslocamentos verticais e horizontais diferentes dependendo do intervalo medido e de eventos tectônicos específicos.
Segundo a University College London, o crescimento atual detectado por GPS fica em torno de 2 milímetros por ano. Enquanto isso, a própria movimentação das placas ocorre em escala de centímetros por ano, mostrando como apenas uma fração da convergência se transforma em elevação vertical.
| Medida | Valor aproximado |
|---|---|
| Altitude oficial | 8.848,86 m. |
| Crescimento vertical atual observado | Cerca de 2 mm por ano. |
| Movimento da placa Indiana | Vários centímetros por ano. |
| Deslocamento em 2015 | Cerca de 3 cm para sudoeste. |
Por que o Monte Everest é importante para entender uma Terra em movimento?
O Everest mostra de maneira visível que continentes e cadeias montanhosas não são estruturas permanentes. Em escalas humanas, alguns milímetros parecem irrelevantes, mas acumulados durante milhares ou milhões de anos produzem transformações enormes no relevo terrestre.
Estudar esses movimentos também ajuda os geólogos a compreender a deformação da crosta e os terremotos do Himalaia. O crescimento do Monte Everest não ocorre de maneira contínua e perfeitamente uniforme, mas sua lenta mudança revela um planeta cuja superfície permanece ativa mesmo quando parece completamente imóvel.
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