O lugar mais profundo já alcançado por seres humanos fica a quase 11 quilômetros abaixo da superfície do oceano e suporta uma pressão extrema
Missões tripuladas chegaram ao fundo da Fossa das Marianas enfrentando mais de mil atmosferas de pressão
No oeste do Pacífico, a Fossa das Marianas abriga o ponto mais profundo conhecido dos oceanos. O Challenger Deep chega a cerca de 10.935 metros abaixo do nível médio do mar. Chegar até ali exige engenharia capaz de resistir a uma pressão devastadora, mas missões tripuladas já tocaram esse ambiente extremo.
Onde fica o Challenger Deep e qual é sua profundidade?
O Challenger Deep está na porção sul da Fossa das Marianas, próxima às Ilhas Marianas, no Pacífico ocidental. Medições modernas indicam uma profundidade máxima de aproximadamente 10.935 metros, fazendo dele o ponto mais profundo conhecido dos oceanos.
Esse valor não deve ser tratado como absolutamente fixo. Um estudo publicado em 2021 calculou 10.935 metros, com incerteza de ±6 metros em 95% de confiança. Pequenas diferenças entre medições surgem por fatores como precisão dos sensores, propriedades da água e gravidade local.
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Como seres humanos conseguiram chegar a um lugar tão extremo?
A primeira descida tripulada aconteceu em 23 de janeiro de 1960, quando Jacques Piccard e Don Walsh chegaram ao fundo no batiscafo Trieste. James Cameron realizou uma descida solo em 2012, enquanto Victor Vescovo voltou ao local em diferentes mergulhos a partir de 2019.
Esses veículos precisam manter seus ocupantes protegidos enquanto o exterior enfrenta forças enormes. O projeto reúne casco de pressão, flutuabilidade especializada e sistemas capazes de funcionar durante muitas horas longe de qualquer possibilidade de assistência imediata.
- Casco desenvolvido para suportar profundidade oceânica total.
- Sistemas redundantes de energia e suporte à vida.
- Flutuabilidade capaz de auxiliar o retorno à superfície.
- Sensores construídos para operar sob pressão extrema.
Este vídeo da National Geographic explica como pesquisadores medem o ponto mais profundo conhecido do oceano.
Que pressão existe no Challenger Deep?
A pressão cresce com a profundidade devido ao peso da coluna de água acima. No fundo do Challenger Deep, ela fica próxima de 110 megapascais, equivalente a aproximadamente 1.080 atmosferas. A NOAA também apresenta uma estimativa próxima de 16 mil libras por polegada quadrada para essas profundidades.
Uma estrutura convencional não resistiria a essa carga. Submersíveis destinados ao fundo oceânico usam cascos cuidadosamente projetados, frequentemente com compartimentos de pressão esféricos, porque essa geometria distribui melhor as forças externas e reduz regiões de concentração de tensão.
Por que medir o ponto mais profundo não é tão simples?
O fundo da Fossa das Marianas não é plano. Existem depressões e irregularidades, de modo que localizar seu ponto mais baixo depende da resolução do levantamento, da trajetória utilizada e da precisão dos equipamentos. Encontrar o local mais profundo e determinar sua profundidade exata são problemas diferentes.
Transformar uma leitura de pressão em profundidade também exige correções para características da água, pressão atmosférica e gravidade. É uma das razões pelas quais expedições históricas produziram números ligeiramente diferentes das medições atuais, realizadas com instrumentos mais precisos.

Quais números mostram a escala do Challenger Deep?
A profundidade média dos oceanos é de aproximadamente 3.682 metros, segundo a NOAA Ocean Exploration. Isso significa que o Challenger Deep é quase três vezes mais profundo. Até o Monte Everest, com cerca de 8.849 metros de altitude, caberia nessa coluna de água com espaço de sobra.
As próprias missões evidenciam a dificuldade do acesso. O Trieste chegou à região em 1960, Cameron repetiu a façanha em 2012 e Vescovo realizou novas descidas décadas depois, usando equipamentos modernos que também ajudaram a aperfeiçoar as medições do fundo oceânico.
| Referência | Valor aproximado |
|---|---|
| Profundidade máxima | 10.935 m |
| Pressão no fundo | 110 MPa |
| Equivalência de pressão | Cerca de 1.080 atmosferas |
| Profundidade média oceânica | 3.682 m |
O que essas descidas revelaram sobre os oceanos?
Chegar ao fundo não serve apenas para estabelecer recordes. Essas missões permitem observar sedimentos, relevo e organismos adaptados à zona hadal, além de testar materiais, sensores e sistemas destinados a trabalhar em algumas das condições físicas mais severas existentes na Terra.
As descidas também mostram quanto ainda falta conhecer sobre o fundo do mar. Mesmo com tecnologias modernas, partes consideráveis dos oceanos ainda carecem de mapeamento detalhado, fazendo dessas expedições ferramentas importantes para compreender melhor a geologia, a vida marinha e os limites da exploração humana.
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