Focus reduz projeção de inflação e eleva PIB de 2026
Boletim Focus desta terça mostra IPCA caindo para 5% em 2026, enquanto o PIB sobe a 1,93%; Selic segue projetada em 13,75% ao ano
O Boletim Focus, divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central, trouxe um sinal misto para a economia brasileira: os analistas do mercado financeiro diminuíram a projeção de inflação para este ano, ao mesmo tempo em que elevaram a expectativa de crescimento do país.
A previsão para o IPCA em 2026 caiu para 5%, ainda acima do teto da meta de inflação, fixada em 4,5%. A inflação acumulada em 12 meses já soma 4,44% até julho, após uma variação de +0,07% justamente nesse mês, quando foi registrada uma leve alta de preços. Os dados de agosto saem nessa semana.
No ano passado, o índice havia fechado em 4,26%, dentro da margem tolerada pelo Banco Central. Para 2027, a estimativa subiu ligeiramente, de 4,28% para 4,29%.
Já a expectativa do Focus para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano avançou de 1,92% para 1,93%. A projeção para 2027 permaneceu em 1,5%, enquanto a de 2028 recuou de 1,98% para 1,96%.
Para efeito de comparação, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE. O Banco Central trabalha com uma expansão de 2% neste ano, ao passo que o governo federal projeta 2,3%, embora já tenha sinalizado possível revisão para baixo diante da perda de fôlego da atividade no segundo trimestre.
No cenário externo, o Fundo Monetário Internacional elevou recentemente sua previsão para o PIB brasileiro em 2026, de 1,9% para 2,4%.
No campo dos juros, a mediana das projeções do Focus para a Selic ao fim de 2026 foi mantida em 13,75% ao ano. Para 2027 e 2028, as estimativas também ficaram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.
Vale lembrar que a taxa em vigor hoje é de 14% ao ano, após corte promovido pelo Banco Central no início de agosto. A próxima decisão sobre os juros está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
Já o dólar segue sem sobressaltos nas contas dos economistas: a previsão para o fim de 2026 permaneceu em 5,20 reais, enquanto para 2027 a estimativa é de 5,30 reais.
O retrato geral do boletim é de uma economia que segue crescendo acima do esperado há algumas semanas, mas ainda convive com uma inflação incômoda e distante da meta, o que deve manter o Banco Central cauteloso na condução dos próximos cortes de juros.
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