Capital Nacional do Moscatel por lei federal: a cidade da Serra Gaúcha onde a imigração italiana começou no Rio Grande do Sul
A imigração italiana deixou marcas profundas na cultura e na agricultura
Antes de Caxias do Sul e de Bento Gonçalves, foi ali que tudo começou. As primeiras famílias vindas do norte da Itália desembarcaram em maio de 1875 no que hoje é Farroupilha, e o vinho que nasceu daquelas parreiras rendeu à cidade um título nacional garantido por lei.
Por que Farroupilha recebeu o título de Capital Nacional do Moscatel?
Porque a produção virou identidade e o Congresso reconheceu isso. A Lei Federal nº 13.795, de 3 de janeiro de 2019, confere ao município o título de Capital Nacional do Moscatel, uva branca aromática que dá origem tanto ao vinho quanto ao espumante mais associado à serra.
A produção não está concentrada em grandes grupos. Boa parte sai de vinícolas familiares espalhadas pelo interior, especialmente no Vale Trentino, roteiro na divisa com Caxias do Sul onde as cantinas abrem as portas para degustação e onde os costumes italianos passaram de geração em geração, conforme a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul.

Onde a colonização italiana do estado realmente começou?
Começou em Nova Milano, hoje distrito do município. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade é o berço da colonização italiana no Rio Grande do Sul, e as primeiras famílias a chegar foram as de Stefano Crippa, Tomazo Radaelli e Luigi Spreafico, vindas da província de Milão.
O núcleo urbano atual, porém, nasceu de um trilho. A ferrovia entre Montenegro e Caxias do Sul foi inaugurada em 1910 e passava entre Nova Milano e Nova Vicenza, e foi ao redor da estação que a população começou a se concentrar. O município se emancipou em 1934 e recebeu o nome em homenagem ao centenário da Revolução Farroupilha.

O que uma fruta da Nova Zelândia faz numa cidade de colonos italianos?
Ela encontrou clima parecido com o de casa. O kiwi é originário da China, ganhou nome em homenagem à ave símbolo da Nova Zelândia depois que sementes chegaram lá em 1906, e o cultivo no Brasil começou justamente em Farroupilha, em 1985, segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul.
O resultado é uma economia rural com duas caras. A mesma cidade que exporta a tradição do moscatel virou referência nacional na fruta e carrega, ao lado do título de Capital Nacional do Moscatel, o de Capital Nacional do Kiwi, algo raro para um município que cabe em pouco mais de 70 mil moradores.
Quais lugares valem a visita na cidade?
Os atrativos se dividem entre fé, cachoeira e memória colonial. Confira abaixo os principais endereços:
- Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio: maior templo de devoção à santa no sul do país, a 6 km do centro, com romaria em 26 de maio, conforme o portal oficial de turismo.
- Parque Salto Ventoso: cascata que despenca sobre uma gruta e forma uma cortina d’água, num dos cenários mais fotografados da serra.
- Parque dos Pinheiros: área de mata nativa na região central, listada entre os atrativos do município.
- Museu Casa de Pedra: construção erguida com pedra irregular, forração de madeira e altar entalhado original, testemunho direto dos primeiros anos coloniais.
- Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus: templo em estilo romano com duas torres de 49 metros e vitrais no interior.
- Parque da Imigração Italiana: espaço em Nova Milano dedicado à memória das primeiras famílias que chegaram à serra.
Quem se interessa pela herança italiana da Serra Gaúcha, vai curtir este vídeo do De fora em Juiz de Fora, com mais de 141 mil visualizações sobre Farroupilha.
Como é o clima em Farroupilha durante o ano?
A altitude de quase 700 metros garante quatro estações bem marcadas e chuva o ano inteiro. Setembro reúne média de 175 mm e agosto, um dos meses menos úmidos, ainda registra 142 mm, conforme a série histórica do Climatempo. Veja abaixo como cada período se comporta:
Valores aproximados. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
O ponto de partida da serra gaúcha
Farroupilha costuma ficar na sombra das vizinhas mais famosas do roteiro do vinho, mas foi ali que as primeiras famílias italianas puseram o pé no Rio Grande do Sul. Um século e meio depois, a cidade guarda a casa de pedra, o santuário, a uva que virou lei e uma fruta neozelandesa que ninguém esperava encontrar na serra.
Vale reservar um fim de semana para percorrer o Vale Trentino, provar o moscatel na própria cantina e terminar o passeio na cascata do Salto Ventoso.
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