Terceiro maior centro de jeans do Brasil e um dos maiores produtores mundiais de piso: a cidade catarinense que se reinventou depois do carvão
A economia se diversificou muito além da mineração que marcou sua história
Cidades que nascem de uma jazida raramente sobrevivem ao fim dela. Criciúma fez o contrário: quando a mineração perdeu força, o mesmo subsolo rico em minerais virou matéria-prima de azulejo, e as costureiras do bairro viraram uma indústria de confecção. Hoje a maior cidade do sul de Santa Catarina tem um PIB acima de R$ 8 bilhões e vende piso para o mundo.
Como a antiga Capital do Carvão passou a viver de azulejo e jeans?
A troca aconteceu sem sair do lugar. Conforme o portal Viva Criciúma, mantido pela prefeitura, o município está entre os maiores produtores nacionais e mundiais de pisos e azulejos, é o terceiro maior centro nacional na produção de jeans e o maior de todo o estado no setor de confecções.
A lista de atividades vai bem além disso. Indústria química, metalomecânica, plásticos e descartáveis, construção civil e um comércio que atende toda a região sul do estado compõem uma base larga o bastante para não depender de um único setor. A prefeitura destaca ainda que a cidade é a 4ª mais rápida do país para abrir uma empresa, indicador que ajuda a explicar por que negócios novos continuam aparecendo.

O que sobrou da era das minas na cidade?
Sobrou uma galeria que qualquer pessoa pode visitar. A Mina de Visitação Octávio Fontana preserva o ambiente de trabalho dos mineiros e transformou em roteiro turístico aquilo que por décadas ficou escondido debaixo do chão.
A memória também está no calendário. Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, é celebrada em 4 de dezembro, data que o município mantém ao lado do aniversário da cidade, em 6 de janeiro. A colonização começou em 1880, a emancipação veio em 1925 e a instalação oficial no primeiro dia de 1926.
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O que a Festa das Etnias celebra em Criciúma?
Ela celebra as sete etnias que formaram o município. O evento nasceu com o nome de Quermesse de Tradição e Cultura e virou a maior festa temática da região, reunindo gastronomia, danças e trajes tradicionais das comunidades que chegaram ao sul catarinense ao longo de mais de um século, conforme o portal municipal de turismo.
A herança dessas comunidades aparece fora do calendário de festas. Ela está nos sobrenomes das indústrias, nos pratos servidos nos restaurantes do centro e nos espaços de memória que a cidade mantém abertos justamente para explicar como um lugar de origem tão misturada acabou virando um centro industrial.
Quais lugares valem a visita na maior cidade do sul catarinense?
O município ficou conhecido como cidade dos parques e concentra boa parte dos passeios ao ar livre. Confira abaixo os principais endereços listados pela Prefeitura de Criciúma:
- Parque Astronômico Albert Einstein E=mc²: equipamento público voltado à observação do céu, com agenda própria de visitação.
- Parque das Nações Cincinato Naspolini: o mais tradicional espaço de lazer da cidade e endereço do Centro de Atendimento ao Turista.
- Parque dos Imigrantes: área verde dedicada à memória das comunidades que colonizaram a região.
- Teatro Municipal Elias Angeloni: a única sala de espetáculos do sul do estado, palco de teatro, música e grandes eventos.
- Mirante Realdo Santos Guglielmi: ponto alto com vista aberta sobre a malha urbana e o relevo do entorno.
- Praça Nereu Ramos: coração do centro histórico, perto do Museu Augusto Casagrande e da Casa do Agente Ferroviário.
Quem quer entender como é Criciúma, vai curtir este vídeo do Sincero SC, com mais de 100 mil inscritos, que mostra o cotidiano, a estrutura e diferentes áreas da cidade.
Como é o clima em Criciúma durante o ano?
O clima é subtropical e não tem estação seca definida. Setembro reúne média de 127 mm de chuva e julho, um dos meses mais secos, ainda registra 100 mm, conforme a série histórica do Climatempo. Veja abaixo como cada período se comporta:
Valores aproximados. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, e vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A cidade que trocou o que tira do chão
Poucos municípios brasileiros conseguem virar a própria economia sem trocar de endereço. Criciúma continuou olhando para o mesmo subsolo, mudou o que retira dele e acabou colocando piso, azulejo e jeans catarinense em mercados que competem com italianos e espanhóis.
Vale reservar um fim de semana para descer na galeria da mina, subir ao mirante e entender como uma cidade de 200 e poucos mil habitantes conseguiu se reinventar duas vezes no mesmo lugar.
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