Menos de 6 mil moradores e a melhor qualidade de vida de Santa Catarina: a cidade do Meio-Oeste que ficou à frente de Florianópolis, Joinville e Balneário Camboriú
O pequeno número de moradores ajuda a manter uma rotina tranquila
Rankings de qualidade de vida costumam premiar cidades grandes, com orçamento e estrutura de sobra. Luzerna, no Meio-Oeste de Santa Catarina, contraria essa lógica com pouco menos de 6 mil habitantes e a primeira colocação estadual, além de uma vaga entre as dez melhores do país. É a única catarinense nesse grupo.
Como uma cidade de 6 mil habitantes chegou ao topo do ranking?
Com nota 71,10 em uma escala de zero a cem. Conforme a Prefeitura de Luzerna, o município ficou em 9º lugar entre os 5.570 avaliados pelo Índice de Progresso Social de 2026 e lidera o ranking catarinense, à frente de nomes como Florianópolis, Joinville, Blumenau e Balneário Camboriú.
O índice não olha para riqueza. O IPS Brasil cruza 57 indicadores sociais e ambientais divididos em três dimensões, necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades, para medir se os serviços chegam de fato às pessoas. Santa Catarina aparece como o terceiro melhor estado do país no mesmo levantamento, atrás apenas do Distrito Federal e de São Paulo, e a média catarinense ficou acima da nacional. Entre os municípios do estado, 131 superaram a média do Brasil, mas só um entrou no grupo dos dez primeiros.

Quem fundou Luzerna e por quê?
Um engenheiro que se encantou pela paisagem pela janela do trem. Segundo o portal municipal de turismo, o alemão Henrique Hacker, engenheiro eletrotécnico, atravessava o Vale do Rio do Peixe em 1915 quando decidiu comprar ali uma área de 40 mil hectares e tocar uma colonização por conta própria.
A ferrovia concluída em 1910 abriu o caminho. Nasceu a Colônia Bom Retiro, com os primeiros lotes vendidos em março de 1916, pensada inicialmente como colônia de cultura germânica e logo ocupada também por descendentes de italianos. Os primeiros colonos vieram do Rio Grande do Sul, de cidades como São Leopoldo, Montenegro e Passo Fundo, atraídos pelas terras do vale. O avanço foi lento nos primeiros anos, e só ganhou ritmo quando a região passou a contar com estrutura administrativa própria.
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O que existe para ver no município?
As atrações cabem em um fim de semana e misturam acervo, natureza e vida de interior. Confira abaixo:
- Museu Frei Miguel: instalado no Centro de Eventos São João Batista, guarda mais de 300 peças entre insetos, animais empalhados, madeiras e pedras coletadas em três estados.
- Rio Estreito: nele foram registradas 32 espécies de peixes, incluindo um lambari até então conhecido apenas na Argentina.
- Paróquia São João Batista: o principal marco arquitetônico do centro, ligado à origem religiosa da colônia.
- Observação de aves: o município reúne mais de 130 espécies registradas, além de 33 tipos de orquídeas e bromélias.
Quem busca qualidade de vida em uma cidade pequena vai curtir este vídeo do CANAL RESET SUL, com mais de 26 mil visualizações, que mostra como é viver em Luzerna.
O que a emancipação mudou na cidade?
Luzerna foi distrito de Joaçaba por quase cinco décadas antes de virar município próprio, pela lei estadual nº 10.050, de 29 de dezembro de 1995. A primeira eleição para prefeito aconteceu no ano seguinte, e a administração própria foi instalada em 1997.
Passar a decidir sozinha sobre saúde e educação, em um território pequeno e com população estável, permitiu concentrar investimento em poucos serviços e acompanhar de perto o resultado. O município tinha pouco mais de 5,2 mil moradores em 1980 e chegou aos anos 2000 com cerca de 5,5 mil, um crescimento lento que evitou a pressão sobre a rede pública. Não é coincidência que os indicadores que sustentam a posição no ranking sejam justamente os de atendimento básico à população.
Onde fica e como chegar a Luzerna?
O município ocupa 116,74 km² no Vale do Rio do Peixe, a 511 metros de altitude, e faz divisa com Joaçaba, cidade vizinha de porte bem maior. O acesso é rodoviário, pelas estradas que cortam o Meio-Oeste catarinense e ligam a região a Chapecó, a oeste, e ao litoral, a leste. Quem chega de avião costuma usar os aeroportos regionais mais próximos e completar o trajeto de carro.
Uma cidade pequena que virou referência nacional
Meio-Oeste catarinense, seis mil moradores, uma paróquia no centro e um museu com cobras em formol. Nada nessa descrição sugere um município capaz de superar Balneário Camboriú e Florianópolis em qualidade de vida, e é exatamente isso que torna o caso interessante. O tamanho, que costuma ser tratado como limitação, virou vantagem administrativa.
Você precisa conhecer Luzerna e entender como uma colônia fundada por um engenheiro de trem virou a cidade mais bem avaliada de Santa Catarina.
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