Única capital entre as três cidades mais desenvolvidas do Brasil: a metrópole do Sul que criou em 1974 um modelo de transporte copiado em mais de 180 cidades ao redor do planeta
O transporte coletivo ajudou a mudar a forma de planejar grandes cidades
Uma solução barata inventada por uma prefeitura brasileira acabou virando referência para cidades em todos os continentes. Curitiba abriu seus primeiros corredores exclusivos de ônibus em 1974 e organizou o crescimento urbano ao redor deles. Cinco décadas depois, a capital do Paraná ocupa o terceiro lugar entre os municípios mais desenvolvidos do país.
Por que Curitiba aparece entre as três cidades mais desenvolvidas do país?
A capital soma 0,8855 ponto no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) de 2025, atrás apenas de Águas de São Pedro e São Caetano do Sul, duas cidades paulistas de porte muito menor. O levantamento avaliou 5.550 municípios em emprego e renda, saúde e educação, e apenas 4,6% deles alcançaram a faixa de desenvolvimento alto. Nenhuma outra capital aparece no top 10.
O resultado se repete em outro estudo. No IPS Brasil de 2026, que mede acesso a serviços e oportunidades em vez de riqueza, Curitiba lidera o ranking das capitais com 71,29 pontos, à frente de Brasília e da capital paulista. Poucas metrópoles brasileiras sustentam desempenho alto nos dois indicadores ao mesmo tempo.

Como a capital paranaense virou referência mundial em transporte?
O sistema começou em 22 de setembro de 1974, com 20 km de faixas exclusivas no sentido norte-sul e apenas duas linhas em operação. A lógica desenhada na gestão do arquiteto Jaime Lerner reorganizou as rotas em linhas alimentadoras curtas nos bairros que convergiam para terminais e, dali, para linhas troncais rápidas. O modelo passou a ser conhecido internacionalmente pela sigla em inglês BRT.
A peça mais reconhecível veio depois. Conforme a URBS, empresa municipal que gerencia o transporte, as estações-tubo foram criadas para permitir embarque em nível e pagamento antecipado da tarifa, o que acelerou a entrada dos passageiros nos ônibus biarticulados. Em 2013, as estações ganharam uma função extra com as Tubotecas, pequenas bibliotecas instaladas nas plataformas onde qualquer pessoa pode pegar um livro emprestado sem cadastro.

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O que ver na cidade em um fim de semana?
Os cartões-postais estão espalhados por parques e prédios de arquitetura marcante, quase todos acessíveis pelo transporte público. Confira abaixo:
- Jardim Botânico: a estufa de vidro e ferro sobre jardins geométricos é a imagem mais reproduzida da capital.
- Ópera de Arame: teatro de estrutura tubular e teto transparente construído dentro de uma antiga pedreira, cercado por lago e mata.
- Parque Tanguá: mirante sobre outra pedreira desativada, com cascata e um túnel que atravessa a rocha.
- Museu Oscar Niemeyer: conhecido como Museu do Olho por causa do anexo suspenso projetado pelo arquiteto.
- Linha Turismo: circuito de ônibus da URBS que percorre os principais pontos da cidade e permite descer e reembarcar ao longo do trajeto.
Quem quer descobrir Curitiba além do básico vai curtir este vídeo do Num Pulo, com mais de 281 mil inscritos, que passa pelos parques e atrações da capital.
Como é o clima em Curitiba durante o ano?
A capital paranaense fica em um planalto e registra as temperaturas mais baixas entre as capitais brasileiras. Julho tem mínima média de 10 °C, e a chuva se distribui pelos doze meses, sem estação seca definida. Confira abaixo:
Médias climatológicas com base no Climatempo. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão antes de viajar.
Como chegar e o que fica perto da capital?
Os voos pousam no Aeroporto Internacional Afonso Pena, na vizinha São José dos Pinhais, a menos de 20 km do centro. Por terra, a BR-116 liga a cidade a São Paulo, ao norte, e ao Rio Grande do Sul, ao sul. Quem tem um dia sobrando costuma descer a Serra do Mar pela ferrovia centenária que corta túneis e viadutos até Morretes, no litoral paranaense, um dos trajetos de trem mais procurados do país.
Uma capital que exportou o próprio jeito de crescer
O que começou como uma resposta de baixo custo para um problema de trânsito acabou definindo o desenho da cidade inteira, dos parques em pedreiras desativadas às plataformas tubulares que aparecem em qualquer foto da capital. Os rankings de desenvolvimento e de qualidade de vida apenas confirmam, décadas depois, uma decisão urbana tomada nos anos 1970.
Você precisa conhecer Curitiba e andar de ônibus por uma cidade que resolveu se planejar antes de crescer.
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