Durante a reforma de um muro em um parque de Roma, trabalhadores encontram o que pode ter feito parte de uma antiga base dos primeiros bombeiros da história
O edifício do século II encontrado no Célio preserva mosaicos, afrescos e pistas que podem ligá-lo à V Coorte dos bombeiros da Roma imperial
Uma obra destinada a consolidar um muro histórico em Villa Celimontana, no monte Célio, em Roma, acabou revelando muito mais do que os trabalhadores esperavam. Sob o terreno apareceram oito ambientes de um edifício construído no século II d.C., com mosaicos, afrescos e revestimentos de mármore. A localização e alguns detalhes arquitetônicos levantaram uma hipótese particularmente interessante: a estrutura pode ter pertencido à caserna da V Coorte dos vigiles romanos, corpo criado para combater incêndios e patrulhar as ruas da capital imperial.
O que os trabalhadores encontraram durante as obras em Roma?
A descoberta ocorreu enquanto equipes atuavam no reforço do muro de sustentação de Villa Celimontana, próximo ao Coliseu. As intervenções faziam parte de um projeto financiado pelo plano italiano de recuperação e acabaram expondo estruturas romanas que permaneciam enterradas. A partir daí, o trabalho de engenharia deu lugar também a uma investigação arqueológica sistemática.
Até agora, cinco dos oito ambientes identificados foram completamente escavados, enquanto outros três permanecem apenas parcialmente acessíveis. O edifício foi construído no século II e sofreu alterações durante o século III, indicando que continuou sendo utilizado e reorganizado durante um período considerável da Roma imperial.
Quais pistas ligam o edifício aos vigiles romanos?
A localização é uma das evidências mais importantes. O imóvel fica numa área associada historicamente à V Coorte dos vigiles, uma das unidades responsáveis pela proteção contra incêndios e pela vigilância noturna de setores específicos de Roma. Inscrições encontradas anteriormente na região já haviam indicado a presença dessa corporação no Célio.
Outro indício está na decoração de um dos pisos, cujo desenho encontra paralelo numa caserna conhecida dos vigiles em Ostia Antica. Ainda assim, os arqueólogos destacam que a identificação não está concluída.
- O edifício fica próximo da área atribuída à V Coorte.
- Há oito ambientes organizados em um mesmo complexo.
- Um mosaico marinho apresenta semelhanças com decoração encontrada em Ostia.
- A região tinha acesso próximo a infraestrutura de água.
- A alternativa ainda considerada é uma residência aristocrática de alto padrão.
Este vídeo oficial do Parque Arqueológico de Ostia Antica mostra como era uma caserna dos vigiles romanos.
Como funcionavam os vigiles romanos na capital imperial?
Os vigiles foram organizados por Augusto no início do século I d.C. como uma força permanente voltada principalmente ao combate a incêndios e ao policiamento noturno. Roma possuía construções densas, ruas estreitas e grande uso de madeira em edificações, combinação que tornava o fogo um perigo constante para uma cidade com população enorme.
O corpo foi dividido em sete coortes, cada uma responsável por dois dos quatorze distritos administrativos de Roma. Seus integrantes patrulhavam ruas, respondiam a incêndios e utilizavam equipamentos como baldes, bombas, ferramentas para derrubar estruturas e reservatórios de água. Por isso, instalações próximas a cisternas e aquedutos seriam particularmente úteis para uma unidade desse tipo.
Por que os mosaicos deixaram os arqueólogos em dúvida?
A qualidade da decoração é sofisticada demais para permitir uma conclusão simples. Um dos ambientes possui mosaico com golfinho, peixe, lagosta e caranguejo ao redor de um grande vaso, enquanto fragmentos de teto preservam círculos vermelhos e azuis e elementos de estuque. Também foram encontrados revestimentos de mármore em opus sectile.
Esses materiais poderiam pertencer a uma residência aristocrática, algo perfeitamente plausível no Célio. A própria equipe científica responsável pela escavação afirma que apenas a análise das estruturas, dos materiais e do contexto poderá determinar se o conjunto era uma domus, parte da caserna ou eventualmente uma residência vinculada ao comandante da unidade. O Ministério da Cultura da Itália apresenta oficialmente as duas hipóteses para o edifício.

Quais elementos resumem a descoberta de Villa Celimontana?
O achado é importante justamente porque não corresponde apenas a objetos isolados. Os arqueólogos recuperaram parte de um conjunto arquitetônico relativamente amplo, permitindo estudar distribuição de salas, fases de ocupação e decoração no contexto original. Isso oferece pistas muito mais fortes do que uma peça encontrada fora de sua posição arqueológica.
Os principais dados conhecidos até agora podem ser resumidos desta forma.
| Elemento | Registro |
|---|---|
| Datação principal | Século II d.C. |
| Ambientes identificados | Oito, sendo cinco totalmente escavados. |
| Decoração | Mosaicos, afrescos e mármores. |
| Hipótese principal | Ligação com a V Coorte dos Vigiles. |
O que a descoberta pode revelar sobre os vigiles romanos?
Se a hipótese for confirmada, a descoberta ajudará a redefinir o tamanho e a organização da caserna da V Coorte no Célio. Isso seria especialmente relevante porque parte das instalações utilizadas pelos bombeiros e guardas noturnos de Roma ainda é conhecida de maneira fragmentária, enquanto a caserna preservada em Ostia oferece um dos melhores paralelos disponíveis.
Por enquanto, porém, chamar o edifício definitivamente de quartel dos vigiles romanos seria prematuro. A importância arqueológica já está confirmada; sua função exata ainda não. É justamente essa distinção que torna a descoberta interessante: um trabalho de consolidação revelou uma estrutura imperial capaz de ampliar o conhecimento sobre um dos serviços públicos mais organizados da Roma antiga.
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