Cientistas criam um cilindro cheio de esferas de aço que reduz o impacto dos terremotos em edifícios e pontes: pode funcionar sem eletricidade
O dispositivo transforma o próprio movimento da estrutura em atrito para dissipar energia
Um cilindro cheio de esferas de aço pode parecer simples demais para enfrentar vibrações de terremotos. Mas pesquisadores ligados à University of Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, desenvolveram um dispositivo passivo que usa atrito para dissipar parte da energia transmitida a estruturas. A proposta busca proteger edifícios, pontes e equipamentos sem depender de energia elétrica.
Como funciona o cilindro cheio de esferas de aço?
O dispositivo usa um cilindro oco, várias esferas sólidas e uma haste central com pequenos pinos radiais. Quando a estrutura vibra, a haste se move dentro do cilindro e força os pinos a atravessarem o conjunto de esferas.
A patente US 12.498.014 B2 do Escritório de Patentes dos Estados Unidos, concedida em 16 de dezembro de 2025, descreve esse movimento como fonte de atrito entre as peças. Essa resistência transforma parte da energia da vibração e ajuda a reduzir o movimento transmitido à estrutura.

Quais peças fazem o sistema dissipar a vibração?
A ideia funciona com poucas peças e não depende de bombas, motores ou circuitos de controle. O próprio projeto permite alterar o número, o tamanho e a posição de componentes para adaptar o comportamento do amortecedor.
Os elementos principais descritos na patente e na apresentação feita pela equipe são:
Por que ele pode funcionar sem eletricidade?
O sistema é passivo, ou seja, reage ao próprio movimento da estrutura. A patente afirma diretamente que o dispositivo requer zero energia elétrica para operar.
Em material divulgado pela University of Sharjah, o professor Moussa Leblouba explica que a dissipação depende apenas do atrito entre as esferas e os pinos. Isso evita um problema comum de sistemas que dependem de energia externa: uma queda de eletricidade durante o próprio desastre.
- Sem motor: o movimento vem da própria vibração recebida.
- Sem bomba: não depende de fluido pressurizado para funcionar.
- Sem alimentação elétrica: o amortecimento continua mesmo durante apagões.
- Peças removíveis: componentes podem ser substituídos separadamente em caso de dano.

O sistema já foi testado em prédios e pontes reais?
Ainda não em escala completa. Os testes iniciais foram feitos em ambiente controlado, e a próxima fase prevê ampliar o dispositivo e submetê-lo a cargas sísmicas mais realistas.
Segundo o material técnico divulgado pela equipe, os resultados iniciais apontaram taxa efetiva de amortecimento próxima de 14%. A etapa seguinte inclui ensaios em mesa vibratória com modelos estruturais menores antes de aplicações maiores.
Onde esse tipo de amortecedor poderá ser usado?
A patente prevê uso em edifícios, torres, instalações elétricas, sistemas de comunicação e outros equipamentos. A apresentação da University of Sharjah também cita pontes e estruturas expostas a vento, tremores e vibrações produzidas por máquinas.
A vantagem buscada é combinar simplicidade, baixo número de peças e manutenção mais fácil. O sistema ainda precisa avançar para ensaios em escala maior, mas a base física já está definida: transformar movimento em atrito para retirar parte da energia que chegaria à estrutura.
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