Clarita Maia na Crusoé: Quem representa os judeus?
Jamais se cobra de um católico, protestante, budista, islâmico ou ateu que ele preste contas de sua identidade religiosa para justificar indicação a um cargo técnico
É de Merval Pereira a análise segundo a qual o anúncio de Cláudio Lottenberg como indicado ao Ministério da Saúde por Flávio Bolsonaro atende a uma estratégia de campanha: a blindagem preventiva do candidato às críticas recorrentes ao enfrentamento da pandemia de Covid-19 por seu pai, de quem é herdeiro político direto.
Lottenberg, médico e empresário de renome, seria um nome de competência técnica incontroversa, tanto na medicina quanto na gestão, e, por isso mesmo, um trunfo do candidato.
Mas o anúncio ganhou dimensões outras, e até certo ponto previsíveis, à luz da longeva polêmica que envolve a suposta filiação político-partidária ou ideológica da comunidade judaica nacional.
Essa controvérsia remonta à palestra do então pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro na Hebraica do Rio de Janeiro.
A conotação, explorada tanto por antissemitas de esquerda quanto por filossemitas de direita, é sempre a mesma: a de que os judeus brasileiros teriam afinidade ou vinculação com um determinado espectro político-ideológico.
Contra essa leitura, insurgiu-se um grupo de 1.120 judeus de esquerda que, em apoio ao candidato Lula, lançou um abaixo-assinado.
Embora o texto não faça qualquer referência à indicação de Lottenberg, ato contínuo, foi tributada ao grupo a declaração de que o médico não representa a comunidade judaica brasileira.
De fato, não representa. Tampouco o representa esse grupo do abaixo-assinado, que corresponde, hoje, a cerca de 1,12% da comunidade judaica do país.
Responsabilidade individual
Atribui-se à Reforma Protestante…
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