Wilson Pedroso na Crusoé: Quando quem investiga vira personagem da própria investigação
Mendonça escancarou o processo inteiro e escreveu que a Constituição manda publicidade
Há uma semana que Brasília discute um caso que deveria ser tratado como processo administrativo, mas não está sendo tratado assim.
Está em discussão se um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pode julgar um caso em que o próprio nome dele aparece na planilha de mensagens do investigado. E isso não é rotina.
Os dois nomes que sustentam o escândalo são conhecidos: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, hoje preso, e Alexandre de Moraes, ministro do STF.
Na terça, 1º, o colega de Corte André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal sobre a relação entre os dois e mandou o processo inteiro para sessão pública no plenário.
Um ministro do Supremo abriu a luz da sala. E ninguém mais consegue fingir que estava olhando para outro lugar.
O relatório da PF mostra Vorcaro perguntando, no dia 17 de novembro, horas antes de ser detido no aeroporto tentando embarcar para fora do país: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?“.
Dois dias antes, já tinha perguntado: “Acha que segunda já tenho que estar fora?“
Não é linguagem de processo. É linguagem de quem sabe que a prisão está chegando e quer alguém do outro lado da mesa avisando antes.
E as mensagens seguintes reforçam esse tom.
Numa delas, o banqueiro escreve: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso“. Seria uma referência, segundo a PF, ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em outra, agradece, dizendo que tem uma “dívida de vida” com o ministro.
Pergunta simples: alguém fala assim com um juiz? Alguém fala assim com quem tem o poder de mandar prender?
Vale registrar um ponto que a própria perícia fez questão de destacar: o relatório reúne majoritariamente mensagens enviadas por Vorcaro, não respostas de Moraes.
A exceção é o dia 17 de novembro, quando…
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