Viana quer fim do recesso do Senado diante da crise no STF
O senador declarou a jornalistas que defende a interrupção do recesso eleitoral e retomada das sessões na próxima terça-feira
O senador Carlos Viana (PSD-MG) defendeu nesta sexta-feira, 4, a retomada imediata das sessões do Senado e a interrupção do recesso eleitoral diante da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), o governo federal e o Congresso.
Segundo Viana, senadores devem retornar a Brasília já na próxima terça-feira para discutir a situação institucional e cobrar respostas diante das denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
“O Senado precisa retomar com urgência as sessões já a partir da semana que vem, interromper o recesso eleitoral para que nós estejamos acompanhando de perto toda essa crise institucional e as decisões que precisam ser tomadas em nome do povo brasileiro”, afirmou durante coletiva de imprensa.
Viana disse ter conversado pessoalmente, nos últimos dois dias, com senadores e senadoras para avaliar a disposição dos parlamentares. Segundo ele, há interesse de parte dos integrantes da Casa em retomar os trabalhos e realizar uma sessão extraordinária na próxima terça-feira.
“É inadmissível que diante de uma crise tão grave que envolve o Supremo Tribunal Federal, a Presidência da República, o próprio Senado da República, que nós estejamos ausentes de Brasília”, declarou.
O senador afirmou que parlamentares também tentam conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para viabilizar a reunião na próxima semana. A intenção é permitir que os senadores se manifestem sobre a crise.
“Nós possamos acompanhar de perto tudo do que está acontecendo. Não é possível o Congresso, o Senado ficar parado até o final, para as eleições passarem e depois nós tomarmos uma posição”, disse.
Pressão sobre Moraes
A cobrança ocorre em meio às discussões no Senado sobre Alexandre de Moraes. Na terça-feira, 1º, Viana protocolou um pedido de impeachment contra o ministro, alegando suspeita de crime de responsabilidade e de advocacia administrativa em benefício de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As alegações ainda são objeto de apuração.
Viana também defende que Moraes seja chamado ao Senado para prestar esclarecimentos sobre as informações que vieram a público.
Para o senador, o Congresso não pode aguardar o fim do calendário eleitoral para se posicionar diante dos acontecimentos.
“O que nós estamos transmitindo para o povo brasileiro é que nos interessa hoje somente a questão eleitoral. Nós não estamos devidamente preocupados e responsabilizados do que está acontecendo no país”, afirmou.
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Senado
Viana também criticou o que considera perda de protagonismo do Senado diante do Supremo. Para ele, a Casa precisa exercer suas atribuições constitucionais e discutir medidas para enfrentar a crise.
“Nós estamos a reboque de outro poder. É hora de nós tomarmos novamente a nossa independência e o Senado ser protagonista desse poder que hoje a população nos deu”, declarou.
O senador afirmou que pretende continuar mobilizando os colegas para que compareçam ao Senado na terça-feira, ainda que não haja votação.
“Eu estou convidando os senadores para que estejam aqui terça-feira, que nós façamos declarações em conjunto ou individuais, mas dentro do Senado, mostrando a nossa preocupação com o que está acontecendo no Brasil”, disse.
Nesta sexta-feira, o Senado realizou uma sessão não deliberativa, destinada aos pronunciamentos dos parlamentares e à leitura do expediente, sem votações previstas.
Viana também cobrou uma reunião entre Alcolumbre e os líderes partidários para discutir a situação.
“O presidente Davi precisa ouvir os senadores, precisa ouvir especialmente os líderes. (…) Todos eles têm consciência do momento que o país está passando e querem uma reunião neste Senado”, afirmou.
Para o senador, a retomada das atividades é necessária para que o Legislativo acompanhe diretamente os desdobramentos da crise.
“Quem estiver à frente no comando desse barco chamado Senado Federal tem que ter a capacidade, a altivez de nos comandar de uma forma em que a gente coloca os interesses da população brasileira acima dos nossos interesses”, declarou.
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