Um dinossauro de 165 milhões de anos carregava espinhos de até 1 metro e uma armadura muito mais extravagante do que se esperava dos primeiros anquilossauros

05.09.2026

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Um dinossauro de 165 milhões de anos carregava espinhos de até 1 metro e uma armadura muito mais extravagante do que se esperava dos primeiros anquilossauros
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Um dinossauro de 165 milhões de anos carregava espinhos de até 1 metro e uma armadura muito mais extravagante do que se esperava dos primeiros anquilossauros

Fósseis do Marrocos revelam que armaduras elaboradas e armas na cauda surgiram muito cedo na evolução dos anquilossauros

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Um dinossauro de 165 milhões de anos carregava espinhos de até 1 metro e uma armadura muito mais extravagante do que se esperava dos primeiros anquilossauros
Spicomellus afer já possuía uma armadura extremamente elaborada no Jurássico, com enormes espinhos no pescoço e estruturas defensivas distribuídas pelo corpo

Durante muito tempo, os primeiros anquilossauros eram imaginados como versões relativamente simples dos gigantes blindados que surgiriam depois. Novos fósseis encontrados no Marrocos mudaram essa imagem. O Spicomellus afer, que viveu há cerca de 165 milhões de anos, possuía uma combinação extraordinária de placas e espinhos, incluindo estruturas ósseas de 87 centímetros no pescoço que provavelmente ultrapassavam 1 metro quando revestidas por queratina. O animal também apresentava evidências de uma arma na cauda, empurrando algumas adaptações clássicas dos anquilossauros dezenas de milhões de anos para trás no tempo.

Por que o Spicomellus afer surpreendeu tanto os paleontólogos?

A espécie havia sido descrita em 2021 com base principalmente em uma costela parcial que apresentava espinhos fundidos diretamente ao osso, uma configuração que já parecia incomum entre vertebrados conhecidos. O exemplar vinha da Formação El Mers III, no Médio Atlas, próximo à atual cidade marroquina de Boulemane.

Uma escavação posterior recuperou uma quantidade muito maior do esqueleto e confirmou definitivamente que se tratava de um anquilossauro. Os novos restos mostraram que a característica estranha da primeira costela não era isolada: havia espinhos ligados às costelas e diferentes estruturas de armadura distribuídas pelo corpo.

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Como era a armadura do Spicomellus afer?

No pescoço existia um colar ósseo do qual partiam enormes espinhos. Os maiores preservados alcançam 87 centímetros, mas os pesquisadores consideram provável que fossem revestidos por queratina em vida, aumentando seu comprimento total para perto ou acima de 1 metro. Também havia espinhos projetando-se sobre os quadris e elementos longos semelhantes a lâminas nas laterais.

Além disso, placas menores protegiam outras regiões, enquanto todas as costelas conhecidas apresentavam osteodermos fundidos diretamente a elas. Essa combinação é tão peculiar que o estudo publicado na Nature descreve a armadura como diferente da observada em qualquer outro vertebrado conhecido, vivo ou extinto.

  • Espinhos ósseos do pescoço chegavam a 87 centímetros.
  • Revestimentos de queratina provavelmente aumentavam seu comprimento.
  • Grandes espinhos também apareciam sobre os quadris.
  • Elementos alongados e achatados protegiam as laterais.
  • Osteodermos estavam fundidos diretamente às costelas.

Pesquisadores da University of Birmingham apresentam os fósseis e explicam por que essa descoberta mudou a interpretação do animal.

O animal realmente possuía uma arma na cauda?

O final da cauda ainda não foi encontrado, portanto não é possível reconstruir com certeza a forma completa dessa arma. Entretanto, algumas vértebras preservadas estão fundidas formando uma estrutura rígida conhecida como “handle”, ou cabo, característica ligada às caudas armadas de anquilossauros posteriores.

Essa anatomia é particularmente importante porque estruturas equivalentes eram associadas a animais do Cretáceo. Spicomellus viveu mais de 30 milhões de anos antes dos outros exemplos conhecidos com esse tipo de adaptação, indicando que a evolução das armas caudais começou muito antes do que se pensava.

Os enormes espinhos serviam apenas para defesa contra predadores?

Essa é uma possibilidade, mas não a única. Os autores argumentam que produzir e carregar estruturas tão exageradas exigiria energia e poderia limitar a mobilidade. Por isso, parte da armadura pode ter desempenhado uma função de exibição, ajudando indivíduos a sinalizar vigor para parceiros ou rivais.

Trata-se, porém, de uma hipótese evolutiva, não de um comportamento diretamente comprovado. O estudo publicado na Nature propõe que a armadura inicialmente ligada à defesa pode ter sido cooptada para exibição, enquanto formas posteriores desenvolveram estruturas visualmente menos extravagantes e mais claramente defensivas.

Osteodermos fundidos às costelas e vértebras rígidas na cauda mostram que algumas adaptações clássicas dos anquilossauros surgiram muito antes do que se imaginava
Osteodermos fundidos às costelas e vértebras rígidas na cauda mostram que algumas adaptações clássicas dos anquilossauros surgiram muito antes do que se imaginava

O que a idade do Spicomellus afer muda na história dos anquilossauros?

Com aproximadamente 165 milhões de anos, Spicomellus é o anquilossauro mais antigo conhecido e também o primeiro representante do grupo identificado na África. Isso torna sua anatomia especialmente importante, porque o registro fóssil dos primeiros anquilossauros do Jurássico é extremamente fragmentário.

Em vez de apresentar uma blindagem simples, esse representante inicial já possuía uma combinação altamente especializada de placas, espinhos, proteção nos quadris e provavelmente uma arma caudal.

CaracterísticaEvidência
IdadeCerca de 165 milhões de anos
Maior espinho ósseo87 centímetros
PescoçoColar ósseo com grandes espinhos
CaudaVértebras indicam arma caudal

Por que essa descoberta obriga os cientistas a rever a evolução da armadura?

A expectativa tradicional era de que os anquilossauros tivessem acumulado gradualmente suas adaptações mais elaboradas ao longo de dezenas de milhões de anos. Spicomellus mostra que, muito cedo na história do grupo, já existiam especializações que antes eram associadas principalmente a espécies posteriores do Cretáceo.

O fóssil também evidencia quanto ainda é incompleto o registro africano do Jurássico. Se um dos anquilossauros mais antigos conhecidos apresentava uma anatomia tão especializada, novas descobertas no Marrocos e em outras regiões de Gondwana podem revelar uma diversidade inicial muito maior do que aquela representada pelos poucos fósseis disponíveis hoje.

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