Mendonça deixa sociedade de instituto onde se encontrou com Vorcaro
O ministro do STF afirmou que cederá a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou nesta quinta-feira, 3, por meio de nota, que decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter, onde se encontrou com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em 14 de março de 2025.
O ministro afirmou que cederá a totalidade de suas cotas e de sua esposa, sem qualquer contrapartida financeira.
“As cotas, e eventuais valores a elas correspondentes, permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais, conforme o ministro já havia decidido e anunciado no início deste ano. Criado em 2024, o Instituto Iter será transformado em entidade sem fins lucrativos, reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social. O ministro jamais auferiu lucro do instituto”, acrescenta a nota.
Mendonça tomou a decisão na terça-feira, 2. Na data, o ministro, em conversa com o presidente do Instituto, Victor Godoy, orientou que se tomassem as providências necessárias para o magistrado deixar a sociedade.
“Nessas condições, o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor”, conclui a nota.
O encontro de Mendonça com Vorcaro na sede do Instituto, em São Paulo, foi revelado por reportagem do portal ICL Notícias que destaca as tratativas do advogado Ciro Rocha Soares e do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) para promovê-lo.
Segundo o ministro, Vorcaro não tratou diretamente do Banco Master no encontro nem de Banco Central (BC). Na época, não havia investigação policial sobre o Master, mas apenas a tentativa de vendê-lo ao BRB, banco público de Brasília, o que acabou sendo impedido pelo BC.
Mendonça só virou relator do caso em fevereiro de 2026.
O magistrado diz, contudo, que o único assunto tratado na reunião, que não teria durado mais de 30 minutos, foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do STF.
O caso tratava de créditos de precatórios de interesse do Master e estava sob pedido de vista.
Nota de Mendonça divulgada na quarta destaca ainda que “o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto”. E completa:
“Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos”.
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