Homem estaciona o carro no aeroporto durante uma viagem e, ao voltar, não encontra seu carro no local em que estacionou, ele cobra o aeroporto pela segurança de seu veículo e exige indenização
Se o carro some no estacionamento do aeroporto, o motorista deve agir rápido, preservar imagens e identificar a empresa responsável pelo serviço
Um carro desaparecido no estacionamento do aeroporto transforma o retorno de viagem em uma disputa sobre segurança, dever de guarda e indenização. Antes de responsabilizar o terminal, o motorista precisa confirmar onde deixou o veículo, identificar quem administra o estacionamento e registrar provas capazes de demonstrar a entrada do automóvel no local.
Quando o estacionamento assume o dever de guardar o carro?
O estacionamento pago, cercado e com controle de acesso não fornece apenas uma vaga. A cobrança, a emissão de tíquete e o uso de cancelas indicam que a empresa também assume obrigações relacionadas à custódia do veículo. A Súmula 130 do Superior Tribunal de Justiça estabelece a responsabilidade da empresa pela reparação de dano ou furto ocorrido em seu estacionamento.
A situação muda quando o automóvel foi deixado em uma rua, área aberta ou espaço gratuito sem controle de entrada. A proximidade com o terminal não basta para atribuir automaticamente o desaparecimento ao aeroporto. O motorista deve demonstrar que utilizou o estacionamento oficial ou um serviço apresentado ao público como parte da estrutura aeroportuária.
O que fazer antes de concluir que o veículo foi furtado?
Um carro que não está na vaga indicada pode ter sido removido, guinchado ou deslocado por razões operacionais. O primeiro passo é procurar a administração do estacionamento do aeroporto e solicitar uma consulta imediata aos registros de entrada. Se o veículo continuar desaparecido, algumas medidas devem ser tomadas sem demora:
- registrar protocolo com a empresa responsável pelo estacionamento;
- consultar a segurança do terminal e os serviços de remoção;
- pedir a preservação das imagens das câmeras e dos registros das cancelas;
- comunicar o desaparecimento à polícia e fazer boletim de ocorrência;
- avisar a seguradora, caso exista cobertura para furto ou roubo.

Quem responde, o aeroporto ou a empresa terceirizada?
Muitos estacionamentos aeroportuários são operados por empresas terceirizadas, com CNPJ e canais de atendimento próprios. O comprovante de pagamento, a placa exibida na entrada e os dados presentes no tíquete ajudam a identificar o fornecedor contratado. É contra essa empresa que o pedido inicial de esclarecimento e ressarcimento normalmente deve ser apresentado.
O aeroporto também pode integrar a discussão quando participa da oferta do serviço, divulga o estacionamento como oficial ou mantém relação direta com a operação. A definição depende do contrato, da sinalização e da forma como o serviço foi oferecido ao passageiro. Uma cláusula impressa no tíquete dizendo que a empresa não se responsabiliza pelo veículo não elimina, por si só, o dever de segurança assumido.
Quais provas sustentam o pedido de indenização?
O motorista precisa comprovar que o carro entrou no estacionamento, permaneceu sob controle da operação e não foi devolvido. Também deve demonstrar o valor do prejuízo e as despesas provocadas pelo desaparecimento. Os documentos mais úteis são:
O que guardar para comprovar problemas no estacionamento
Documentos da viagem, comprovantes de pagamento, registros do veículo e evidências do local podem ajudar a demonstrar o uso do estacionamento, o ocorrido e os prejuízos eventualmente sofridos.
Comprovante de acesso
Guarde o tíquete, cartão de acesso ou recibo do estacionamento que demonstre a entrada e a utilização do serviço.
Pagamento da diária
Preserve o comprovante de pagamento da diária, incluindo recibos, faturas ou registros da transação.
Documentos da viagem
Guarde passagens, cartões de embarque e datas da viagem para relacionar o período de ausência ao tempo em que o veículo permaneceu estacionado.
Localização da vaga
Registre com fotografias, localização salva ou anotação do setor o ponto onde o veículo foi deixado.
Protocolos e ocorrência
Reúna protocolos de atendimento e boletim de ocorrência relacionados ao fato e às providências adotadas.
Dados e valor do veículo
Tenha em mãos o documento do veículo e referências de valor praticadas no mercado para identificar o bem e demonstrar seu valor aproximado.
Objetos que estavam no interior
Guarde notas fiscais, recibos ou fotografias dos objetos que estavam no interior do automóvel e possam estar relacionados ao prejuízo informado.
Organize todos os registros em ordem cronológica, desde a entrada no estacionamento até o atendimento após o ocorrido. A combinação entre documentos, fotografias, comprovantes e protocolos facilita a reconstrução dos fatos.
Os registros de leitura da placa, abertura da cancela e saída dos veículos podem revelar se houve falha no controle. Por isso, o pedido de preservação deve ser rápido, antes que as gravações sejam apagadas pelo sistema. A indenização por objetos deixados no automóvel exige prova da existência e do valor dos bens, não bastando apresentar uma relação produzida depois do fato.
A indenização depende do local e do dano comprovado
Se o veículo não for recuperado, o prejuízo material pode ser calculado com base no valor de mercado na data do desaparecimento. Caso seja encontrado danificado, entram na apuração o conserto, o guincho e outras despesas diretamente ligadas ao ocorrido. A seguradora que pagar a cobertura poderá buscar o ressarcimento contra o responsável pelo estacionamento.
O dano moral não surge automaticamente em todo desaparecimento. Sua análise considera a duração do problema, a conduta da empresa e as consequências concretas para o motorista. Tíquete, imagens, protocolos e registros das cancelas formam a base para demonstrar a falha de custódia e calcular uma indenização compatível com o prejuízo comprovado.
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