IPO da Shein decepciona após 4 anos de espera
A Shein estreou em Hong Kong com ações em queda, valendo 73% menos que em 2022. Entenda os motivos por trás do tropeço
A Shein finalmente estreou na bolsa de Hong Kong nesta terça-feira, encerrando um processo de quatro anos marcado por tentativas frustradas em Nova York e Londres.
Só que o desfecho ficou longe de ser triunfante: as ações chegaram a cair até 10% no primeiro pregão, mas se recuperaram ao longo do pregão, fechando com perdas mínimas, de 0,1%, após a gigante do fast fashion levantar 1,7 bilhão de dólares na oferta.
O valor de mercado resultante, entre 24 e 26,5 bilhões de dólares, representa queda de cerca de 73% frente ao pico de quase 100 bilhões de dólares atingido em 2022, quando a empresa era vista como uma das apostas mais promissoras do varejo digital mundial.
A distância entre a expectativa de outrora e a realidade atual expõe o custo de um IPO que chegou depois que o crescimento da companhia já havia perdido fôlego.
Para amenizar o prejuízo de investidores de rodadas anteriores, a Shein se comprometeu a pagar até 3,5 bilhões de dólares em dinheiro e ações extras a fundos como Boyu Capital, General Atlantic, Tiger Global, Thrive Capital, Mubadala e Brookfield, que haviam entrado em avaliações bem superiores às atuais.
O mecanismo sai do caixa da própria companhia, não dos recursos captados na oferta, e beneficia esses fundos, não os novos acionistas que compraram ações na estreia na bolsa.
Os números recentes explicam o ceticismo do mercado. A receita de 2025 somou 41,8 bilhões de dólares, avanço de cerca de 8%, ritmo bem inferior aos mais de 20% do ano anterior. O lucro líquido recuou quase 39%, para 2,06 bilhões de dólares.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de 99 milhões de dólares, ante lucro de 395 milhões no mesmo período de 2025.
O número, porém, inclui um encargo contábil sem efeito caixa de cerca de 328 milhões de dólares, ligado à reavaliação de ações preferenciais conversíveis. Sem esse item, o resultado operacional segue positivo, ainda que menor que o de um ano antes.
Parte da pressão vem de mudanças regulatórias. O fim da isenção de impostos para pequenas encomendas nos Estados Unidos, seguido por medida semelhante na União Europeia, encareceu o modelo de envio direto de produtos baratos ao consumidor.
Some-se a isso a concorrência com Temu e AliExpress, além do deslocamento do apetite dos investidores para empresas de inteligência artificial, hoje o centro do entusiasmo do mercado.
Parte dos analistas aponta que a Shein perdeu a janela ideal para abrir capital e que, mesmo mais barata, a ação ainda não é uma pechincha diante dos desafios à frente.
A companhia diz que destinará a maior parte dos recursos à tecnologia e expansão internacional, na tentativa de reconquistar a confiança do mercado.
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