Capital estadual das confecções por lei: a cidade apelidada de Princesa do Norte, no Espírito Santo que costura 2 milhões de peças por mês às margens do Rio Doce
A indústria da moda movimenta fábricas, comércio e milhares de empregos
Poucas cidades médias do interior brasileiro ganham título oficial por causa de uma cadeia produtiva inteira, e não de uma única fábrica. Colatina, às margens do Rio Doce, no noroeste do Espírito Santo, recebeu esse reconhecimento por causa das centenas de pequenas confecções que vestem boa parte do país, e ainda soma café premiado, uma ponte histórica e um dos melhores índices de qualidade de vida do estado.
Como um barracão às margens do Rio Doce virou a Princesa do Norte?
A cidade nasceu de um ponto de parada fluvial. Segundo o Descubra o Espírito Santo, portal oficial de turismo do governo estadual, o Núcleo Colonial Senador Antônio Prado surgiu em 1888 e deu origem a vários povoados, entre eles o Barracão de Santa Maria, onde foram erguidas as primeiras casas do atual bairro de Colatina Velha.
Em 1899, o povoado passou a se chamar Vila de Colatina, homenagem a dona Colatina, esposa do então presidente do estado Muniz Freire. A chegada de italianos, alemães, suíços e poloneses redesenhou a região, no mesmo movimento migratório que criou a primeira cidade fundada por imigrantes italianos no Brasil, também em território capixaba. O município foi criado em 1921, desmembrado de Linhares, e o comércio forte lhe rendeu o apelido de Princesa do Norte.

O que sustenta o título estadual de capital das confecções?
O título veio por lei e mede uma indústria feita de empresas pequenas. Conforme a Secretaria de Turismo do Espírito Santo (Setur-ES), a Lei 9.786 foi assinada pelo governador e publicada no Diário Oficial do Estado, tornando a cidade oficialmente a Capital do Polo de Confecções, o maior do Espírito Santo e um dos maiores do Brasil.
Os números explicam a escala. São cerca de 520 empresas instaladas, das quais 78% são microempresas, 19% pequenas e 3% grandes, gerando mais de 11 mil empregos e uma produção que passa de 2 milhões de peças por mês. Isso significa mais de 66 mil peças por dia saindo de máquinas de costura espalhadas por galpões, fundos de casa e pequenas fábricas do mesmo município.

Por que o café conilon virou a segunda vocação do interior colatinense?
Porque a zona rural do município encontrou no conilon, variedade de café adaptada às terras quentes, uma cultura capaz de render prêmio e não apenas volume. A Prefeitura de Colatina realiza um concurso municipal de qualidade que chegou à décima terceira edição, com premiação superior a R$ 30 mil e R$ 10 mil para o primeiro colocado na categoria individual.
A régua é alta. Só recebem prêmio os lotes que alcançam pontuação mínima de 80 pontos, patamar que classifica um café como especial, e as amostras aprovadas podem representar o município em disputas estaduais e internacionais. A organização reúne a prefeitura, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e o Ifes Campus Itapina, que fica no distrito rural de Itapina, dentro do próprio município.

Onde a cidade aparece no ranking nacional de qualidade de vida?
Colatina está entre as dez melhores do Espírito Santo. De acordo com o Índice de Progresso Social (IPS Brasil), calculado a partir de 57 indicadores sociais e ambientais para os 5.570 municípios do país, a cidade somou 65,48 pontos na edição de 2026 e ficou na 713ª posição nacional.
A nota fica acima da média do próprio estado, que aparece como o 8º melhor do Brasil no mesmo levantamento, com 63,61 pontos. É um desempenho incomum para um município de porte médio: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Colatina reunia 120.033 moradores no Censo de 2022, população menor que a de muitos bairros de capital.
O que ver entre a ponte de 1928 e o pôr do sol sobre o rio
O cartão-postal da cidade é a combinação de água, ponte e fim de tarde. A Ponte Florentino Ávidos, inaugurada em 1928, foi a primeira travessia de grande porte sobre o Rio Doce no estado e abriu a colonização de todo o norte capixaba. Confira abaixo o que estrutura um passeio pela cidade:
- Avenida Beira-Rio: orla urbana onde moradores se reúnem no fim da tarde para ver o sol descer atrás dos morros.
- Ponte Florentino Ávidos: marco de 1928 que liga o centro ao bairro São Silvano e oferece vista panorâmica do rio.
- Praça do Sol Poente: mirante urbano dedicado justamente ao espetáculo de cores sobre as águas.
- Monumento do Cristo Redentor: ponto alto com vista de toda a mancha urbana e das ilhas fluviais.
- Distrito de Itapina: vilarejo rural com estação ferroviária antiga, a cerca de 30 km do centro.
- Rota do Agroturismo: propriedades agrícolas, cachoeiras e paisagens de montanha no interior do município.
Quem quer descobrir Colatina, vai curtir este vídeo do canal Viajando Todo o Brasil, com mais de 21 mil visualizações, que apresenta a cidade capixaba.
Como é o clima de Colatina ao longo do ano?
O município tem clima tropical quente, com verão chuvoso e inverno seco, característica que rendeu à região o apelido de terra quente. Confira abaixo como cada estação se comporta:
Temperaturas e volumes aproximados com base no Climatempo. As condições podem variar bastante de um ano para outro por causa de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes da viagem.
A força discreta da Princesa do Norte capixaba
Colatina construiu sua identidade somando coisas que raramente aparecem juntas no interior do país: uma indústria de roupa feita por microempresas, uma cafeicultura que disputa prêmio por qualidade e uma nota de qualidade de vida acima da média do próprio estado. Tudo isso a poucos passos de um rio que ainda organiza a paisagem e a rotina da cidade.
Você precisa atravessar a ponte no fim da tarde e entender por que a cidade ganhou o apelido de Princesa do Norte.
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