Família utilizava fogo havia anos para limpar a propriedade rural antes do plantio, fiscalização descobre a prática e os donos percebem que até a queima controlada pode depender de autorização
Usar fogo para limpar pastagem e preparar o solo pode exigir autorização ambiental
A família utilizava fogo havia anos para eliminar restos vegetais e preparar o solo antes do plantio, até que uma fiscalização encontrou a prática na propriedade rural. O costume antigo não substitui a autorização para queima controlada. Mesmo quando as chamas permanecem dentro do terreno, o uso precisa seguir regras ambientais, condições climáticas e medidas destinadas a impedir um incêndio.
Usar fogo dentro da própria terra é permitido?
A propriedade do imóvel não concede liberdade irrestrita para queimar pastagem, palhada, galhos ou resíduos de vegetação. A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo admite a queima controlada em práticas agrossilvipastoris quando as características locais justificam o método, mas exige autorização prévia do órgão ambiental competente.
Em geral, o interessado deve procurar o órgão estadual de meio ambiente. Quando a propriedade estiver dentro de uma unidade de conservação federal, o procedimento pode envolver o ICMBio. Estados e municípios também podem estabelecer calendários, períodos de proibição e exigências adicionais, especialmente durante estiagens ou situações de emergência ambiental.
O que diferencia queima controlada de incêndio?
A queima controlada é planejada, autorizada e executada dentro de limites definidos, com equipe, equipamentos e acompanhamento até a extinção completa. Já o incêndio corresponde ao fogo sem controle que atinge vegetação, benfeitorias ou áreas não previstas. Chamar a prática de controlada não basta. Antes de acender o material, o responsável precisa preparar:
Cuidados necessários para realizar uma queima controlada
- 1Aceiros compatíveis com o terreno e a vegetação existente.
- 2Equipamentos para conter e apagar as chamas.
- 3Equipe treinada e em quantidade suficiente.
- 4Horário com temperatura e umidade adequadas.
- 5Avaliação da direção e da velocidade do vento.
- 6Comunicação aos proprietários dos terrenos vizinhos.
- 7Acompanhamento do local até a eliminação dos focos.
Por que fazer isso havia anos não regulariza a prática?
Uma conduta repetida sem fiscalização não se transforma automaticamente em atividade autorizada. As condições ambientais podem mudar entre uma safra e outra, assim como o volume de material seco, a proximidade de casas e o risco de propagação. Por essa razão, a autorização define área, época, horário e cuidados específicos para cada operação ou enquadramento regional.
O uso de fogo em área agropastoril sem autorização, ou em desacordo com aquela concedida, pode gerar autuação e multa administrativa. Se as chamas atingirem reserva legal, área de preservação permanente, lavoura vizinha, cerca, curral ou mata nativa, também podem surgir obrigações de reparar o dano ambiental e indenizar terceiros prejudicados.
Como agir depois que a fiscalização identifica a queima?
Os proprietários devem interromper novos focos e analisar o auto de infração antes de repetir o método no próximo plantio. A defesa administrativa possui prazo próprio, indicado na documentação entregue pelo fiscal. Também é importante procurar o órgão ambiental para verificar se a atividade pode ser autorizada ou se deverá ser substituída por roçada, trituração, incorporação da palhada ou outro manejo. Alguns documentos ajudam nessa etapa:
- auto de infração, termo de embargo e relatório da vistoria;
- matrícula, contrato de posse ou outro documento do imóvel;
- inscrição da propriedade no Cadastro Ambiental Rural;
- mapa da área que vinha sendo queimada;
- fotografias dos aceiros e da vegetação atingida;
- registros sobre vento, umidade e condições do dia;
- comprovantes de eventuais danos e medidas de contenção.

O preparo do solo precisa começar antes do primeiro foco
Antes de solicitar a autorização, a família deve definir a técnica, a mão de obra, os equipamentos e a área exata da operação. A legislação também prevê comunicação aos confrontantes, escolha de dia apropriado e enleiramento dos resíduos para limitar o fogo. A emissão do documento não permite queimar de qualquer maneira, pois todas as condições determinadas pelo órgão precisam ser cumpridas.
Se o método for autorizado, a limpeza rural com fogo deve permanecer restrita ao perímetro aprovado e ser acompanhada até a extinção completa das brasas. Se o risco estiver elevado, a operação precisa ser adiada. A experiência acumulada pela família pode ajudar no manejo, mas somente o planejamento formal define quando, onde e sob quais condições as chamas poderão ser usadas antes do plantio.
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