O chão desce até 42,3 cm por ano na região de uma das maiores capitais: bombeamento de água transforma o solo e deixa bairros sujeitos a rachaduras e desnivelamentos
O problema acontece lentamente, mas já deixa marcas visíveis na cidade
O solo da região metropolitana da Cidade do México continua afundando em velocidades extremas. Em algumas áreas, medições apresentadas pela UNAM em 2026 chegaram a 42,3 cm por ano. O fenômeno é chamado de subsidência e está ligado principalmente à retirada intensa de água subterrânea e à compactação dos antigos sedimentos lacustres sobre os quais a metrópole cresceu.
Onde o chão está descendo até 42,3 cm por ano?
O maior valor recente foi registrado em Ciudad Nezahualcóyotl, município da região metropolitana localizado no Estado do México. A GacetaGeo do Instituto de Geofísica da UNAM informou velocidade máxima de 423 mm por ano, equivalente a 42,3 cm.
Dentro da própria Cidade do México, a mesma apresentação registrou até 25,8 cm por ano em Iztapalapa, 20,1 cm em Venustiano Carranza, 17,7 cm em Iztacalco e 17,3 cm em Gustavo A. Madero.

Por que retirar água faz o terreno afundar?
Grande parte da metrópole foi construída sobre o antigo sistema de lagos do Vale do México. Abaixo da cidade existem espessas camadas de sedimentos finos e compressíveis. Quando água é retirada do aquífero, a pressão dentro dos poros diminui e parte desse material se compacta.
A NASA explica que a extração extensa de água subterrânea, somada ao peso do desenvolvimento urbano, vem comprimindo o antigo leito de lago há mais de um século.
Como poucos centímetros por ano viram rachaduras grandes?
O problema mais destrutivo não é apenas o afundamento, mas a diferença de velocidade entre áreas próximas. Um bairro pode descer mais rápido que outro, forçando ruas, fundações, tubulações e redes de drenagem a acompanhar deformações diferentes.
A UNAM usa dados de GPS e imagens de radar para localizar esses gradientes. Segundo o instituto, eles estão associados ao desenvolvimento de fraturas superficiais e podem ser usados para avaliar vulnerabilidade urbana.
- Ruas: podem ganhar degraus, fissuras e deformações.
- Edifícios: sofrem assentamentos diferenciais nas fundações.
- Tubulações: podem romper quando trechos vizinhos descem em velocidades distintas.
- Drenagem: perde inclinação original e exige adaptações contínuas.
O afundamento pode ser revertido se o bombeamento diminuir?
Grande parte da deformação já acumulada não volta ao estado anterior. Um estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth reuniu 115 anos de nivelamento, 24 anos de radar e 14 anos de GPS e concluiu que a subsidência é quase totalmente irreversível.
A pesquisa encontrou pontos com até 50 cm por ano em séries anteriores e relacionou as maiores velocidades à espessura das camadas compressíveis do subsolo.
Leia também: Qual a real importância das águas subterrâneas para o Brasil.
O que os satélites estão mostrando agora?
O satélite NISAR, missão conjunta da NASA e da agência espacial indiana, mediu a região entre 25 de outubro de 2025 e 17 de janeiro de 2026. O radar detectou áreas afundando mais de 2 cm por mês durante esse intervalo.
Esses dados não substituem as séries anuais da UNAM, mas mostram como a deformação pode ser acompanhada quase em tempo real. Quando centímetros por mês se repetem e variam de um bairro para outro, o resultado acumulado aparece em ruas quebradas, redes hidráulicas tensionadas e construções que precisam conviver com um chão que continua descendo.
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