Na União Soviética, um veículo de quase 30 metros recebeu 12 eixos e 24 rodas motrizes para transportar um míssil gigantesco por estradas sem depender de ferrovias
Chassi articulado, direção em vários eixos e transmissão elétrica permitiram testar um dos maiores transportadores militares da Guerra Fria
Nos últimos anos da Guerra Fria, engenheiros soviéticos levaram o conceito de lançador móvel a uma escala extrema. O MAZ-7907 foi construído em 1985 como protótipo para o sistema rodoviário Tselina-2, associado ao míssil balístico intercontinental RT-23. Com 28,1 metros de comprimento, 12 eixos e 24 rodas motrizes, o veículo precisava distribuir uma carga enorme, atravessar terrenos irregulares e ainda ser capaz de manobrar sem a infraestrutura ferroviária usada por outras versões do mesmo míssil.
Como o MAZ-7907 conseguia movimentar uma carga tão grande sobre rodas?
Em vez de concentrar o peso sobre poucos eixos, o projeto distribuía a carga entre 24 rodas de grande diâmetro. O chassi possuía suspensão hidropneumática independente e era articulado, característica importante para que uma estrutura tão comprida acompanhasse irregularidades do terreno sem transmitir esforços excessivos ao conjunto.
A máquina havia sido dimensionada para receber um lançador relacionado ao RT-23, cujo míssil tinha massa de lançamento superior a 100 toneladas. O próprio transportador pesava aproximadamente 66 toneladas e tinha capacidade projetada para cargas muito superiores a isso, fazendo dele um dos mais extraordinários chassis militares sobre rodas desenvolvidos naquele período.
Por que os soviéticos queriam colocar enormes mísseis em veículos rodoviários?
A mobilidade permitia dispersar sistemas estratégicos e reduzir a dependência de posições fixas. A União Soviética também desenvolveu versões ferroviárias do RT-23, mas um sistema rodoviário poderia operar em áreas diferentes, aproveitando redes de estradas especialmente preparadas e dificultando a localização permanente do lançador.
Para isso, os engenheiros precisavam resolver problemas incomuns:
- Distribuir mais de uma centena de toneladas por muitos pontos de contato;
- Criar direção capaz de manobrar um chassi extremamente longo;
- Manter tração em terreno menos regular;
- Permitir que diferentes partes do chassi acompanhassem desníveis;
- Transportar o sistema sem depender diretamente de trilhos.
Este vídeo apresenta o MAZ-7907, sua configuração de 24 rodas e o projeto soviético criado para transportar o RT-23.
Como o MAZ-7907 fazia tantas rodas girarem e ajudarem nas curvas?
O veículo utilizava uma solução particularmente incomum: uma turbina a gás acionava um gerador, e a eletricidade produzida alimentava motores de tração associados às rodas. Assim, não era necessário transmitir mecanicamente a potência através de uma única árvore de transmissão percorrendo quase 30 metros de chassi.
A direção também envolvia vários eixos. As quatro primeiras e as quatro últimas fileiras podiam esterçar, enquanto os quatro eixos centrais permaneciam alinhados. As rodas dianteiras e traseiras giravam em sentidos opostos durante determinadas manobras, reduzindo o raio necessário para contornar curvas apesar do comprimento excepcional.
Outros transportadores soviéticos chegaram a ser ainda maiores?
Sim. Antes do modelo de 24 rodas, o programa Tselina produziu o MAZ-7904, protótipo concluído em 1983. Ele tinha aproximadamente 32,2 metros de comprimento e capacidade de carga projetada de 220 toneladas, mas utilizava apenas seis eixos e 12 rodas gigantes, com quase três metros de diâmetro.
Essa comparação mostra que não existiu apenas um “caminhão gigante soviético”. Diferentes arquiteturas foram testadas para o mesmo problema estratégico. O MAZ-7904 apostava em poucas rodas enormes e transmissão hidromecânica; o MAZ-7907 distribuiu a carga entre 24 rodas e adotou transmissão elétrica, tornando-se uma experiência ainda mais sofisticada.

Quais números mostram a escala do MAZ-7907?
As dimensões confirmam por que fotografias do protótipo lembram mais uma composição ferroviária do que um caminhão. O veículo media cerca de 28,1 metros de comprimento, 4,1 metros de largura e 4,4 metros de altura. Seus 12 eixos sustentavam 24 rodas motrizes, e o raio de curva era da ordem de 27 metros.
O desenvolvimento começou após a decisão soviética de criar uma variante rodoviária para o RT-23, e dois protótipos foram montados em Minsk em 1985. A versão móvel terrestre acabou cancelada, enquanto o RT-23 entrou em serviço em outras configurações. Mais detalhes históricos e técnicos podem ser consultados na página especializada da GlobalSecurity. MAZ-7907 na GlobalSecurity
| Característica | MAZ-7907 |
|---|---|
| Comprimento | Cerca de 28,1 m |
| Eixos | 12 |
| Rodas motrizes | 24 |
| Raio de curva | Cerca de 27 m |
Por que esses gigantes nunca substituíram os trens no transporte de mísseis?
Construir um veículo capaz de carregar um míssil era apenas parte do desafio. Estradas, pontes, manutenção, consumo energético, confiabilidade e capacidade de manobra precisavam acompanhar a escala da máquina. Quanto maior o transportador, mais difícil se tornava deslocá-lo discretamente e garantir rotas capazes de suportar seu peso.
O MAZ-7907 permaneceu experimental, mas mostrou até onde a engenharia soviética estava disposta a ir para obter mobilidade estratégica. Em vez de simplesmente transformar uma locomotiva em caminhão, seus projetistas criaram um chassi articulado, multieixo e de transmissão elétrica que distribuía toneladas de equipamento por duas dúzias de rodas — uma solução impressionante que acabou não chegando ao serviço operacional.
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