Aos 84 anos, avô de 30 netos entrou no primeiro ano do ensino fundamental para aprender a contar dinheiro e ler a Bíblia; meses depois tirou notas máximas em três matérias e ficou entre os cinco melhores alunos da turma
Um avô de 30 netos se matriculou no primeiro ano do ensino fundamental aos 84 anos só para aprender a contar dinheiro e ler a Bíblia

O que você vai ver
- Quem era Kimani Maruge e por que decidiu voltar a estudar.
- Como o ensino fundamental gratuito abriu essa oportunidade.
- O que ele queria aprender ao entrar na turma de primeiro ano.
- Como foi o desempenho dele nos meses seguintes.
- Por que a história de Kimani Maruge ficou conhecida mundialmente.
Aos 84 anos, já avô de 30 netos, um veterano queniano se matriculou numa turma de primeiro ano do ensino fundamental ao lado de crianças com menos de um décimo de sua idade, decisão motivada por dois objetivos bem específicos que ele nunca havia conseguido alcançar antes.
Quem era Kimani Maruge e por que decidiu voltar a estudar?
Kimani Maruge era um veterano queniano que, apesar da idade avançada, nunca havia tido a oportunidade de frequentar a escola formalmente ao longo da vida, lacuna educacional que carregava consigo mesmo depois de décadas de experiência de vida e trabalho.
Foi apenas quando o Quênia adotou uma política de ensino fundamental gratuito para toda a população que Maruge viu, pela primeira vez, uma oportunidade concreta de se matricular numa escola, decisão que tomou já na condição de idoso, cercado por uma grande família de netos.
Kimani Ng'ang'a Maruge from Kenya 🇰🇪 holds the Guinness World Record for being the oldest person to start primary school at 84. pic.twitter.com/KriHD8YvFE
— Africa First (@AfricaFirsts) January 29, 2026
Como o ensino fundamental gratuito abriu essa oportunidade?
A adoção do ensino fundamental gratuito no Quênia eliminou uma das principais barreiras que historicamente impediam adultos mais velhos, como Maruge, de acessar a educação básica formal, já que o custo da escolaridade deixou de ser um impeditivo direto para a matrícula.
Aproveitando essa mudança na política educacional do país, Kimani Maruge se apresentou numa escola local para se matricular, tornando-se um dos casos mais emblemáticos de adultos que usaram a gratuidade recém-implementada para finalmente iniciar os estudos formais na velhice.
O que ele queria aprender ao entrar na turma de primeiro ano?
Os objetivos de Kimani Maruge ao se matricular eram bastante concretos e diretamente ligados a necessidades práticas do dia a dia: aprender a contar dinheiro com segurança e conseguir ler a Bíblia sozinho, sem depender de outra pessoa para acompanhar o texto.
Esses dois objetivos, aparentemente simples, resumiam décadas de limitações práticas enfrentadas por alguém que nunca havia tido acesso à alfabetização formal, mostrando como a ausência de escolaridade básica pode impactar diretamente atividades cotidianas consideradas triviais pela maioria das pessoas alfabetizadas.
Como foi o desempenho dele nos meses seguintes?
Poucos meses depois de iniciar as aulas ao lado de colegas de turma com menos de um décimo da sua idade, Kimani Maruge já apresentava um desempenho acadêmico notável, alcançando notas máximas em três matérias distintas do currículo escolar.
Esse resultado o colocou entre os cinco melhores alunos da própria turma, desempenho que surpreendeu tanto professores quanto a comunidade ao redor da escola, já que a expectativa inicial em torno de um aluno de 84 anos frequentando o primeiro ano do ensino fundamental estava longe de prever um resultado acadêmico tão forte em tão pouco tempo.
Kenya's Kimani Ng’ang’a Maruge is the Oldest Person to Start Primary School at the age of 84 in 2004.
— African Hub (@AfricanHub_) December 24, 2024
He did so after the government introduced free primary education.
He became the Head Boy in 2005.
He addressed the 2005 UN World Summit.
He holds a Guinness World Record pic.twitter.com/natDDidHW3
Por que a história de Kimani Maruge ficou conhecida mundialmente?
O caso de Kimani Maruge ganhou repercussão internacional justamente pelo contraste entre a idade avançada do aluno e a etapa inicial de ensino em que ele se matriculou, situação incomum o suficiente para chamar atenção da imprensa e de organizações interessadas em documentar recordes relacionados à educação.
Mais do que uma curiosidade isolada, a trajetória de Maruge se tornou um símbolo de como políticas de gratuidade no ensino podem abrir, mesmo tardiamente, oportunidades educacionais que décadas de barreiras econômicas haviam previamente negado a uma parte da população.
- Kimani Maruge se matriculou no primeiro ano do ensino fundamental aos 84 anos, no Quênia.
- Decisão foi possibilitada pela adoção do ensino fundamental gratuito no país.
- Queria aprender a contar dinheiro e a ler a Bíblia sozinho.
- Meses depois, tirou notas máximas em três matérias e ficou entre os 5 melhores da turma.
Trajetórias educacionais retomadas tardiamente também aparecem em outros relatos, como o caso de Alex Catador, que voltou a estudar aos 34 anos e chegou ao mestrado em Antropologia na UFRGS.
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