No ponto mais profundo conhecido dos oceanos, o fundo fica a cerca de 10.935 metros abaixo do nível do mar, distância suficiente para esconder completamente o Monte Everest se ele fosse colocado ali
O Challenger Deep combina quase 11 quilômetros de profundidade com uma pressão cerca de 1.100 vezes maior que a encontrada na superfície
No oeste do Oceano Pacífico existe uma depressão tão profunda que o Monte Everest, com 8.848,86 metros de altitude, caberia dentro dela e ainda permaneceria submerso por mais de dois quilômetros. O ponto extremo da Fossa das Marianas é chamado Challenger Deep e sua maior profundidade atualmente aceita é de aproximadamente 10.935 metros abaixo do nível médio do mar, com uma margem de incerteza de alguns metros.
Onde fica o ponto mais profundo da Fossa das Marianas?
A trincheira está no Pacífico ocidental, nas proximidades das Ilhas Marianas e de Guam. Entretanto, seus milhares de quilômetros de extensão não possuem a mesma profundidade. O Challenger Deep, localizado na região sul da formação, concentra as maiores profundidades conhecidas e apresenta diferentes depressões internas no fundo oceânico.
A comparação com o Everest ajuda a visualizar uma escala difícil de imaginar. A NOAA destaca que a montanha mais alta do planeta caberia dentro do Challenger Deep com espaço de sobra. Isso não significa que exista uma cavidade vertical com paredes perfeitamente retas, mas mostra a enorme diferença de altitude entre a superfície do oceano e seu fundo.
Como os cientistas sabem que o fundo está a cerca de 10.935 metros?
As medições modernas combinam técnicas diferentes. Navios podem utilizar sonar multifeixe, enviando pulsos acústicos e calculando a profundidade pelo tempo que o som leva para alcançar o fundo e retornar. Missões com submersíveis também conseguem obter estimativas usando sensores extremamente precisos de pressão e altímetros próximos ao leito oceânico.
- Sonar multifeixe mapeia grandes áreas do relevo submarino.
- Sensores de pressão registram as condições durante a descida.
- Altímetros medem a distância entre o veículo e o fundo.
- Correções consideram gravidade, propriedades da água e nível do mar.
O vídeo do Manual do Mundo explica em português a história das primeiras descidas humanas ao Challenger Deep e mostra por que a pressão se torna um dos principais obstáculos para alcançar essas profundidades.
Quanta pressão existe no fundo da Fossa das Marianas?
Perto dos 11 quilômetros de profundidade, a pressão chega a aproximadamente 1.100 vezes a pressão atmosférica existente na superfície. Isso acontece porque toda a coluna de água acima exerce peso sobre qualquer objeto colocado naquela região. A Woods Hole Oceanographic Institution descreve condições dessa ordem nas missões realizadas no Challenger Deep. Veja a explicação da instituição sobre explorações nessa profundidade.
Essa condição torna inadequada a construção convencional de submarinos. Uma grande cabine cheia de ar sofreria enormes esforços de compressão. Veículos destinados à profundidade oceânica total utilizam compartimentos resistentes projetados especificamente para suportar essa diferença de pressão, enquanto componentes externos precisam funcionar mesmo submetidos diretamente à água profunda.
Como um veículo consegue descer quase 11 quilômetros sem ser esmagado?
Submersíveis tripulados empregam uma esfera de pressão extremamente resistente para proteger os ocupantes. Formatos aproximadamente esféricos distribuem melhor os esforços externos do que grandes superfícies planas. Sistemas de flutuabilidade, baterias, propulsores e equipamentos científicos também precisam ser escolhidos para funcionar em um ambiente onde equipamentos comuns simplesmente não sobreviveriam.
Um exemplo é o Limiting Factor, utilizado por Victor Vescovo em várias descidas. Em junho de 2020, medições realizadas durante uma série dessas missões ajudaram a estabelecer em 10.935 metros, com incerteza de ±6 metros a 95% de confiança, a profundidade máxima observada naquele levantamento do Challenger Deep.

Por que medir corretamente a Fossa das Marianas é tão complicado?
Determinar a profundidade não consiste simplesmente em baixar uma fita até o fundo. A velocidade do som na água varia conforme temperatura, pressão e salinidade, enquanto medições baseadas em pressão também exigem correções. Até pequenas diferenças importam quando pesquisadores tentam definir, com precisão de metros, o ponto mais profundo de uma região situada quase 11 quilômetros abaixo da superfície.
| Referência | Valor aproximado |
|---|---|
| Challenger Deep | 10.935 m abaixo do nível do mar |
| Monte Everest | 8.848,86 m de altitude |
| Diferença aproximada | Mais de 2.080 m |
| Pressão no fundo | Cerca de 1.100 vezes a da superfície |
Por isso aparecem números ligeiramente diferentes em levantamentos realizados em épocas distintas. A NOAA atualmente apresenta cerca de 10.935 metros como referência, enquanto estudos científicos deixam explícita a margem de incerteza. Novos mapeamentos podem refinar esses valores sem que isso signifique que a trincheira tenha mudado de profundidade.
O que torna o Challenger Deep um dos ambientes mais extremos da Terra?
Além da pressão colossal, o ambiente é permanentemente escuro e apresenta temperaturas baixas. A energia disponível também é muito diferente daquela encontrada perto da superfície, porque não existe luz solar para sustentar fotossíntese no fundo. Ainda assim, organismos adaptados às grandes profundidades conseguem sobreviver nessas condições extremas.
Chegar ao Challenger Deep, portanto, exige muito mais do que simplesmente construir um veículo capaz de afundar. É necessário controlar descida, flutuabilidade, comunicação, navegação, energia e retorno à superfície enquanto equipamentos permanecem funcionais sob uma pressão suficiente para destruir estruturas que não tenham sido projetadas especificamente para esse ambiente.
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