Campanha presidencial só esquenta no STF
O que falta de emoção à corrida pelo Planalto em debates sobra nos agitados gabinetes do Supremo, com as investigações sobre Lulinha e Master
A campanha presidencial deste ano começou morna, com os dois principais candidatos evitando confronto direto no primeiro debate na televisão. Mas o clima da corrida eleitoral só esquenta no Supremo Tribunal Federal (STF), onde correm investigações que podem interferir no voto.
Consolidados nas duas primeiras posições das pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fingem que os desafiantes não existem e jogam parados. Mas os casos do escândalo do INSS e do filme Dark Horse, que tem ligação com o escândalo do Banco Master seguem avançando, e nas mãos de ministros interpretados como interessados.
Indicado por Jair Bolsonaro, André Mendonça (à direita na foto) relata os casos do Master e do INSS, que deu origem a inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que claramente impactam a popularidade de seu pai, que tenta a reeleição.
Intrigas
Os lulistas disseminam suspeitas sobre Mendonça por conta das investigações sobre Lulinha, cujos vazamentos, que o ministro mandou apurar, têm agitado a campanha presidencial, mas também sobre o que consideram demora para avançar com o caso do filme sobre Bolsonaro, patrocinado em grande parte pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Eis que surge no caso Dark Horse o ministro Flávio Dino (à esquerda na foto), indicado por Lula. Dino relata o inquérito sobre emendas parlamentares, e ao menos uma delas beneficiou a produtora responsável pelo filme inspirado na eleição de Bolsonaro em 2018.
Nesta semana, o ex-ministro da Justiça de Lula atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) para autorizar o acesso a dados da operação sobre a produtora GoUp Entertainment.
Além disso, foi parar nas mãos de Dino um dos três inquéritos sobre suspeita de tráfico de influência de Lulinha, por conta de um desmembramento de investigações muito difícil de entender.
Emoções
Não bastasse essa aparente disputa sobre investigações com potencial de interferir na campanha, um outro ministro do STF, Alexandre de Moraes, oferece sua casa para encontro político entre o presidente da República e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), num contexto em que a campanha pelo Senado é pautada pela promessa de primeiro impeachment no Supremo.
O que falta de emoção à campanha presidencial em debates sobra nos gabinetes do STF.
Leia mais: Uma lição de Mendonça a Moraes e Dino
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