No ano em que completava um século de história rede de instrumentos fecha todas as 42 lojas, 830 funcionários acompanham o último acorde da empresa
Fundada em 1924, a varejista chegou ao centenário com 42 lojas em liquidação e cerca de 830 funcionários ligados à operação.
Rede de instrumentos fundada em 1924, a Sam Ash Music chegou ao centenário com 42 lojas entrando em liquidação nos Estados Unidos. Dias depois do anúncio dos fechamentos, a empresa pediu proteção pelo Chapter 11 e informou ao tribunal que empregava cerca de 830 pessoas.
Qual rede de instrumentos chegou aos 100 anos fechando todas as lojas?
Era a Sam Ash Music, criada por Sam e Rose Ash em Brooklyn, Nova York. O primeiro ponto abriu em maio de 1924 depois que Rose penhorou seu anel de noivado para ajudar a financiar uma pequena loja para músicos do bairro.
A história oficial da Sam Ash mostra como o negócio familiar cresceu de uma única loja para uma rede conhecida por guitarras, baterias, teclados, áudio profissional e outros equipamentos musicais.

O que aconteceu quando a empresa chegou ao centenário em 2024?
Em 2 de maio de 2024, a família anunciou vendas de encerramento em todas as unidades. Seis dias depois, em 8 de maio, a companhia apresentou o pedido de proteção pelo Chapter 11 no Tribunal de Falências do Distrito de Nova Jersey.
Naquele momento, restavam 42 lojas e todas foram encaminhadas para fechamento. O processo também abriu caminho para avaliar a venda de ativos, incluindo partes ligadas ao comércio eletrônico e ao negócio atacadista.
Por que uma varejista centenária não conseguiu sustentar as lojas físicas?
Documentos do processo apontaram forte dependência do movimento presencial, excesso de pontos físicos e queda de receitas. A pandemia eliminou temporariamente o tráfego nas lojas e acelerou mudanças de hábito favoráveis às compras pela internet.
Mesmo depois da reabertura, o movimento não voltou ao padrão anterior. Em 2023, as lojas físicas ainda faturaram mais que o canal online, mas ambos permaneceram abaixo dos níveis pré-pandemia.
Os fatores citados no processo ajudam a resumir o desgaste:
O que os 830 funcionários representavam dentro da crise?
No dia do pedido judicial, o grupo informou possuir aproximadamente 830 empregados. O quadro incluía 671 trabalhadores em tempo integral e 159 em regime parcial ou variável, distribuídos pelas diferentes operações da companhia.
O documento apresentado ao tribunal detalha esse contingente e pediu autorização para manter salários, benefícios e despesas de funcionários enquanto a companhia atravessava o início do Chapter 11.
O Chapter 11 significou que a marca desapareceu junto com as lojas?
Não exatamente. O que terminou foi a rede física que marcou gerações de músicos. Durante o processo, ativos da Sam Ash foram vendidos, incluindo propriedade intelectual e operações digitais, permitindo que o nome continuasse sob uma estrutura diferente.
A mudança separou duas histórias: a varejista familiar de lojas físicas encerrou sua trajetória centenária, enquanto a marca encontrou continuidade no ambiente digital. Por isso, o “fim” se aplica principalmente à antiga operação presencial.
A sequência dos acontecimentos ajuda a entender essa virada:
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O que ficou como legado depois do último acorde das lojas?
Durante um século, a Sam Ash permitiu que músicos testassem instrumentos, comparassem equipamentos e conversassem com vendedores especializados no mesmo espaço. Esse modelo ajudou a transformar as lojas em pontos de encontro, mas aumentou a exposição aos custos do varejo tradicional.
O fechamento das 42 unidades tornou 2024 um marco contraditório: a empresa celebrou 100 anos enquanto encerrava sua estrutura histórica. Para os cerca de 830 funcionários registrados no início do processo, o centenário chegou acompanhado do fim da antiga rede física.
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