Mais de 17 milhões de carros saídos da mesma fábrica: a cidade mineira que reúne o maior complexo automotivo do país, uma refinaria de 1968 e um casarão de 1711
A indústria automotiva mudou a economia e acelerou o crescimento urbano
Meio século atrás, o centro da indústria automobilística brasileira estava no ABC Paulista, e poucos apostavam em uma cidade de perfil rural na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Hoje Betim concentra a maior fábrica de veículos do Brasil, uma refinaria da Petrobras que abastece boa parte de Minas Gerais e um casarão colonial que servia de pousada para tropeiros quando ali só havia estrada de terra.
Como uma cidade de perfil rural virou o maior centro automotivo do Brasil?
A virada começou pela estrada. Conforme a Prefeitura de Betim, as primeiras indústrias de porte chegaram nos anos 1940 com as cerâmicas locais, e o asfaltamento da rodovia Fernão Dias em 1958 reforçou os loteamentos ao longo do novo caminho de expansão industrial da região metropolitana.
O salto seguinte veio com a montadora. De acordo com a Stellantis, o complexo automotivo instalado na cidade em 9 de julho de 1976 já produziu mais de 17 milhões de veículos, dos quais 4 milhões foram exportados para 37 países. A escala explica o resto: são 2,2 milhões de metros quadrados de terreno, mais de 120 fornecedores instalados no entorno e 16 mil empregados, mais da metade de toda a força de trabalho da empresa na América do Sul.

O que sai da Refinaria Gabriel Passos desde 1968
Sai o combustível que move boa parte do estado. Segundo a Petrobras, a Refinaria Gabriel Passos (Regap) foi inaugurada em 30 de março de 1968, com capacidade inicial de 7.200 m³ por dia, e se tornou uma refinaria completa em 1970, com unidades de destilação atmosférica e parque de tanques próprio.
O nome homenageia Gabriel de Resende Passos, mineiro de Itapecerica que foi ministro de Minas e Energia. A unidade recebe petróleo por dois oleodutos e é ligada aos gasodutos Gasbel 1 e Gasbel 2, que levam gás natural a Minas Gerais. Foi essa refinaria, ainda segundo a Prefeitura, que puxou o comércio atacadista e as atividades complementares que prepararam o terreno para a chegada da indústria automobilística oito anos depois.

Por que a cidade virou o maior centro de motores da América Latina?
Porque a fábrica nunca ficou restrita à montagem. Conforme a Stellantis, o complexo mineiro é o maior centro de produção de powertrain, o conjunto que reúne motor e transmissão, de toda a América Latina, e alcançou a marca de 1,5 milhão de motores Firefly produzidos na planta.
O desenvolvimento também acontece por aqui. A empresa mantém no local um Tech Center e um Design Center que reúnem mais de 2 mil engenheiros, designers e técnicos, distribuídos por 40 laboratórios, o que dá à operação autonomia para projetar um carro do desenho ao teste final sem sair do país. É o mesmo tipo de concentração produtiva visto em outras cidades brasileiras que exportam veículos para dezenas de países.
O que visitar em Betim fora dos portões das fábricas?
Sobrou mais coisa do período dos tropeiros do que o perfil industrial sugere. Confira abaixo os principais atrativos da cidade e do entorno:
- Casa da Cultura: casarão erguido por volta de 1711 que funcionava como pousada de tropeiros e bandeirantes na rota entre São Paulo e as vilas do ouro mineiro.
- Estação Ferroviária Capela Nova: a primeira estação do município, marco da fase anterior à industrialização, segundo o portal Turismo em Minas Gerais.
- Salão do Encontro: centro de artesanato que reúne marcenaria, tear, tapeçaria e cerâmica produzidos na cidade.
- Trilha dos Bandeirantes: percurso pela zona rural entre antigas fazendas e paisagens de serra.
- Represa Várzea das Flores: reservatório construído no rio Betim, na divisa com Contagem, usado como área de lazer e pesca pelos moradores do entorno.
- Igreja Nossa Senhora do Rosário: templo do centro antigo ligado à formação do povoado que deu origem ao município.
Quem quer conhecer uma potência industrial de Minas Gerais vai curtir este vídeo do canal Pelos Quatro Ventos, com mais de 55 mil inscritos, que explora história e atrações de Betim.
Como é o clima de Betim ao longo do ano?
A cidade está a cerca de 830 m de altitude, no mesmo padrão da capital mineira: verão quente e chuvoso, inverno seco com madrugadas frias. Veja abaixo o comportamento médio do clima ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas. Em agosto, a média histórica de chuva em Betim é de apenas 13 mm, conforme o Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
A cidade mineira que virou engrenagem da indústria brasileira
Betim reúne em poucos quilômetros uma refinaria que abastece o estado, a fábrica que produziu mais veículos do que qualquer outra no país e uma cadeia de fornecedores que transformou a paisagem rural em bairros inteiros. O casarão de 1711 continua de pé no centro, lembrando que tudo isso começou como parada de tropeiros a caminho das minas.
Vale reservar um dia para conhecer o centro histórico, subir até a represa e entender como uma cidade da Grande BH passou a mover a indústria automobilística brasileira.
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