Caiado evita tomar posição sobre fim da escala 6×1
Presidenciável do PSD critica Lula e chama proposta de “eleitoreira”, mas não declara voto contra ou a favor
O presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado, classificou nesta quarta-feira, 19, a PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 como uma iniciativa de caráter eleitoreiro do governo Lula (PT), durante evento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).
Apesar da crítica, o ex-governador de Goiás não esclareceu se apoia ou rejeita a proposta, alegando que o tema não integra sua agenda por ele não ocupar cargo legislativo.
Justificativa e crítica ao governo
Caiado argumentou que, por não ser parlamentar, não tem poder de voto sobre a matéria e, por isso, evitou tomar posição pública. Segundo ele, a proposta teria motivação estritamente política. Em suas palavras, o projeto seria “simplesmente populista, eleitoreiro, de voto”.
O dirigente também comentou o momento de tramitação da PEC, sugerindo que parlamentares avaliarão a proposta sob pressão de sobrevivência política: “Neste momento, vários parlamentares vão analisar a condição dele hoje também de sobrevivência, sendo que o Lula simplesmente disse: ‘Olha, tome agora que o filho é teu’”.
A proposta que acaba com a jornada de seis dias trabalhados por um de folga foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio deste ano, mas permaneceu sem avanço no Senado por meses.
O quadro mudou após reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que destravou a análise do texto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), comandada por Otto Alencar (PSD-BA) — correligionário de Caiado.
Apoio à PEC da Segurança Pública
No mesmo evento, Caiado declarou respaldo à PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara em março. A posição representa mudança de postura, já que o presidenciável era crítico do texto, sob o argumento de que o governo federal tentava interferir em atribuições dos estados.
Segundo a Folha, o Congresso Nacional só retomará votações entre 31 de agosto e 4 de setembro, no período de esforço concentrado que antecede as eleições. O governo já sinaliza acordo com o presidente da CCJ para debater a PEC da 6×1 durante o recesso parlamentar.
Caiado também tratou da fiscalização de antecedentes criminais de filiados e candidatos partidários, defendendo que essa responsabilidade cabe a órgãos federais, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal, e não às siglas partidárias. O candidato a vice na chapa, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, acompanhou o evento.
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