Israel ataca base síria e agrava atrito com Trump
Bombardeio à instalação em Idlib expõe divergência entre Washington e Tel Aviv sobre estratégia na Síria
Uma base aérea desativada no noroeste da Síria foi alvo de oito ataques aéreos nesta terça-feira, 18, episódio atribuído a Israel por autoridades sírias e americanas.
A ofensiva contra a instalação de Abu al-Duhur, na província de Idlib, não deixou vítimas, mas gerou condenação de Washington e reacendeu tensões entre o governo de Donald Trump e o de Benjamin Netanyahu.
Governo israelense evita assumir autoria
O gabinete de Netanyahu não confirmou diretamente a responsabilidade pelo bombardeio, mas justificou a ação afirmando que uma eventual presença militar turca na base representaria uma “ameaça à segurança” de Israel.
A visita de uma delegação militar da Turquia ao local, realizada para tratar da possível reabertura e reforma da estrutura com apoio de Ancara, precedeu o ataque.
O enviado especial dos Estados Unidos para Síria e Iraque, Tom Barrack, que também ocupa o posto de embaixador americano na Turquia, atribuiu os ataques a Israel. Segundo Barrack, a ação configura uma “escalada desnecessária que não contribui para a estabilidade regional”.
Ele ressaltou ainda que o governo do presidente sírio Ahmed al-Sharaa não adotou postura “predatória” nem recorreu a forças por procuração, tendo manifestado repetidamente preferência por reduzir as tensões com Israel.
Damasco e Ancara condenam bombardeio
O Ministério das Relações Exteriores da Síria classificou o episódio como “agressão injustificada” e como violação da soberania e da integridade territorial do país.
A pasta descreveu a ação como uma escalada que compromete a segurança e a estabilidade regionais, e pediu que a comunidade internacional e o Conselho de Segurança da ONU adotem posição firme diante das ações israelenses em solo sírio.
A Turquia também repudiou o ataque. Seu Ministério das Relações Exteriores declarou que Israel violou a integridade territorial da Síria e infringiu normas do direito internacional.
O episódio se soma a uma série de desencontros recentes entre Washington e Tel Aviv quanto à condução dos conflitos no Oriente Médio.
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