Felino que chegou perigosamente perto de desaparecer ultrapassa marco histórico e começa a recuperar territórios perdidos
Com 2.663 indivíduos em 2025, a espécie amplia sua distribuição enquanto reintroduções e proteção de habitat sustentam a recuperação.
Felino que chegou perigosamente perto de desaparecer, o lince-ibérico alcançou 2.663 indivíduos censados em 2025, o maior total da série coordenada. A recuperação combina proteção de habitat, reprodução, reintroduções e redução de ameaças em Espanha e Portugal.
Qual felino que chegou perto de desaparecer bateu um novo recorde populacional?
O animal é o lince-ibérico (Lynx pardinus), espécie exclusiva da Península Ibérica. O censo de 2025 registrou 2.663 indivíduos em Espanha e Portugal, novo máximo desde o início do acompanhamento coordenado e 262 animais a mais que em 2024.
O Ministério para a Transição Ecológica da Espanha informou que a população cresceu 10,9% em um ano e cerca de 95% entre 2021 e 2025.

Quão perto da extinção o lince-ibérico chegou?
No começo do século XXI, a situação era crítica. A UICN registra que havia apenas 62 indivíduos maduros em 2001, concentrados em poucas áreas e pressionados pela perda de habitat, mortalidade causada por humanos e redução de sua principal presa, o coelho-europeu.
Em 2024, a Lista Vermelha da UICN reclassificou a espécie de Em Perigo para Vulnerável. A mudança reconheceu a recuperação, mas não significou que o felino estivesse fora de risco.
Quais medidas conseguiram inverter a queda populacional?
A recuperação veio de ações combinadas durante décadas. Projetos ampliaram populações de coelho-europeu, restauraram matas e matagais mediterrânicos, reduziram atropelamentos, reforçaram fiscalização e criaram programas de reprodução em cativeiro para aumentar o número de animais disponíveis para soltura.
Translocações e reintroduções também foram decisivas. Desde 2010, mais de 400 linces foram reintroduzidos em áreas de Espanha e Portugal, ajudando a formar novos núcleos populacionais e a aumentar a diversidade genética de populações que haviam ficado muito isoladas.
Os principais resultados da recuperação podem ser resumidos assim:
O lince-ibérico realmente está recuperando territórios perdidos?
Sim. A expansão territorial acompanha o crescimento populacional. A área ocupada conhecida passou de cerca de 449 km² em 2005 para pelo menos 3.320 km² em 2022, enquanto programas de reintrodução estabeleceram populações em regiões onde o felino havia desaparecido.
O censo de 2025 encontrou 26 núcleos geográficos, incluindo áreas em Andaluzia, Castela-La Mancha, Extremadura, Múrcia, Castela e Leão, Madrid e Portugal. Nem todos possuem reprodução, mas a distribuição atual é muito mais ampla que no início dos programas de recuperação.
Os números mostram como população e território avançaram juntos:
Por que o coelho-europeu continua sendo decisivo para a espécie?
O coelho-europeu é a principal presa do lince-ibérico e sua abundância influencia diretamente a capacidade de uma área sustentar o felino. Epidemias que reduzem os coelhos podem comprometer alimentação, reprodução e expansão mesmo quando o habitat parece adequado.
Por isso, programas de recuperação não trabalham apenas com o predador. Eles também manejam habitat e disponibilidade de presas, criando condições para que populações reintroduzidas consigam permanecer e se reproduzir sem depender continuamente de novas solturas.
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O recorde populacional significa que o lince-ibérico está salvo?
Não. A classificação Vulnerável ainda representa risco de extinção, e a UICN considera a espécie amplamente abaixo de sua recuperação completa. Atropelamentos, caça ilegal, doenças, redução de coelhos e mudanças climáticas continuam capazes de interromper a tendência positiva.
O marco de 2.663 indivíduos mostra que décadas de conservação conseguiram inverter uma trajetória que parecia levar à extinção. Manter a expansão, conectar populações e preservar presas e habitats será necessário para transformar esse crescimento em recuperação duradoura.
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