Governo Lula mantém sigilo sobre retorno de policiais cedidos a tribunais
Pedido de devolução foi interpretado como possível retaliação ao gabinete de André Mendonça
O Ministério da Justiça colocou sob sigilo a lista de policiais federais cedidos a tribunais que deverão retornar à corporação, diz o Estadão. O ofício, enviado em junho, foi interpretado por integrantes da Polícia Federal (PF) e do Judiciário como uma possível retaliação ao delegado Thiago Marcantonio, que atua no gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A pasta negou três vezes pedidos feitos por meio da Lei de Acesso à Informação para divulgar os dados.
A negativa mais recente foi assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na última segunda-feira, 10.
Segundo o Ministério da Justiça, o retorno dos servidores ainda está em “fase preparatória”, com análise de pedidos de reconsideração apresentados pelos tribunais.
A pasta alegou que a divulgação poderia “comprometer a capacidade investigatória” da PF ou representar “risco à segurança da sociedade ou do Estado”.
Retorno dos policiais
O documento enviado aos tribunais afirma que a devolução dos policiais atende a uma “diretriz presidencial de fortalecimento da segurança pública”.
O ministério pediu que os órgãos adotassem medidas para o “imediato retorno ao órgão de origem dos servidores abaixo elencados”.
Em abril, Lula (PT) havia dito que determinara o retorno de delegados da PF que estariam “fingindo trabalhar” fora da corporação. Segundo ele, permaneceriam cedidos apenas aqueles que ocupassem cargos de secretários estaduais.
Nos bastidores, porém, a medida foi associada às tensões entre a PF e o gabinete de Mendonça.
O ministro é relator de investigações relacionadas às fraudes no INSS e determinou que documentos da apuração fossem encaminhados ao STF.
Também estabeleceu que mudanças na equipe responsável pelo caso fossem previamente comunicadas.
Leia mais: Mendonça tem motivos para desconfiar
Tensão com Mendonça
O gabinete de Mendonça conta com o delegado Thiago Marcantonio Ferreira desde o ano passado.
A avaliação de integrantes da PF e do Judiciário é que uma medida abrangente de retorno dos servidores poderia atingir o delegado sem que fosse necessário determinar diretamente sua saída do STF.
A tensão aumentou depois que a PF pediu a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes.
Com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), o caso foi distribuído a Mendonça.
A crise envolve ainda divergências sobre investigações relacionadas ao caso Master. Em fevereiro, Mendonça já havia restringido o acesso do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a informações da investigação e determinado que dados fossem conhecidos apenas por autoridades e agentes diretamente envolvidos no caso.
Leia: Chefes da PF manifestam apoio a diretor-geral em meio a tensão com Mendonça
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)